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sábado, 25 de março de 2017

Review de La Vingança. O humor nacional volta com força total.




Apesar de fenômenos como Tropa de Elite 1 e 2, Minha Mãe é uma Peça 2, Carandiru, Olga, O Palhaço e Central do Brasil (vou desconsiderar os filmes dos Trapalhões e Os Dez Mandamentos e explico no fim o porquê) e outros mais, o cinema nacional ainda segue a sina de ser considerado fraco quando comparado com outras produções de nações diferentes. Então, nada mais comum do que entrar em um cinema para ver um filme nacional com um certo temor. Mas isso não é culpa dos espectadores. Isso é culpa da falta de investimentos no nosso cinema e do êxodo de talentos para outras mídias ou até outros países.
Então, a convite do meu segundo lar na internet, o www.noset.com.br, fui assistir à comédia La Vingança, um filme com produção brasileira e argentina. Sim, isso mesmo. Nos unimos aos argentinos.

Texto: Franz Lima. Curta nossa fanpage: Apogeu do Abismo.

Antes de prosseguir, curtam o trailer para entenderem um pouco do que esta resenha traz.

Não fui ao cinema com a esperança de ver um bom filme. Ao contrário, meus temores eram os de que eu sairia decepcionado. Então, começa o filme. Lá está Caco (Felipe Rocha), no alto de um prédio. Há uma mensagem em seu smartphone. Sua mente vaga, preocupado com algo. Mas a solução para suas preocupações está diante dele que, sem pensar, salta. Ok, não foi O SALTO da história do cinema, porém serviu para a cena que era, na verdade, a gravação de uma outra cena para um filme de ação. Caco é um dublê. Um cara à beira de tomar a mais radical das decisões que um homem pode fazer em sua vida: pedir a mulher amada em casamento. E acreditem, essa será a mais radical decisão de sua vida até aquele momento. 

Mesmo diante dos conselhos de seu melhor amigo, Vadão (Daniel Furlan), Caco decide ir adiante. Tudo para termos uma bela cena com o encontro desse casal, mas isso não ocorre. Quando chega ao trabalho de sua namorada Julia (Leandra Leal), ele a encontra transando com seu chefe argentino, o pop Chef Facundo Flores (Adrián Navarro). Ao contrário do que muitos imaginam, ele não reage violentamente. Sua serenidade assusta. 


Ele sai do lugar e conta para Vadão o que ocorreu. Esse é o estopim para uma divertida aventura de dois brasileiros em busca de vingança (e mulheres) na Argentina. 

La Vingança eleva a níveis espetaculares a velha rixa entre nós, os brazucas, e nossos hermanos argentinos. Sempre as mesmas birrinhas. Qual país é o melhor? Quem tem as mulheres mais bonitas, a economia mais estável, os lugares mais bonitos e, principalmente, quem tem o melhor jogador de futebol de todos os tempos? Assim, Caco e Vadão vão para a Argentina de carro, um Opala chamado Jorge. Eles se dão mal quase sempre, seja por conta do jeito malandro de Vadão, seja por causa do mal humor de Caco (e quem ficaria humorado diante da traição?). Isso sem contar as diferenças culturais dos dois povos. Diferenças essas que aumentam quando o excesso de confiança de Vadão arremessa a dupla em uma furada atrás da outra.

Lembram-se quando eu disse no início do post  sobre a falta de confiança ainda presente no cinema nacional? Isso é fruto de anos de filmes com roteiros fracos, atuações medianas e excesso de sacanagem na narrativa. As pornochanchadas foram uma parte dessa má fase, pois o roteiro de um filme onde um cara quer se vingar da mulher que o traiu só poderia ir para duas rotas: ou a vingança com excesso de sexo ou algo mais tenso e violento. Certo, isso não ocorre em La Vingança.

A vingança presente no título do filme poderia ser interpretada como um troco, um retorno pelo que foi feito. A dupla enrolada de dublês opta por ir para a Argentina, pegar o maior número de mulheres possível e, por fim, mostrar ao Chef que eles são melhores que os argentinos. Só esqueceram de alguns detalhes simples: as diferenças culturais, o dinheiro para essa aventura e o principal que é a vontade das argentinas de se deixarem ser seduzidas.

Então os problemas vêm um atrás do outro. Cada vez em que eles tentam seduzir uma mulher argentina é a garantia de uma cena divertida. Em parte por causa da chatice absurda de Caco, mas a maioria é devida aos assédios de Vadão, um sedutor aloprado que se acha "o cara". Para ampliar o riso, cada vez que Vadão tenta incentivar Caco com suas palavras nós presenciamos uma terapia reversa que arremessa-o numa fossa daquelas. Eles até obtêm um resultado aparentemente positivo, ainda que mais adiante vejamos o quanto eles estão despreparados para namorar as mujeres

O roteiro conduz os protagonistas para uma jornada de redenção e, sobretudo, reforço da amizade. Eles vão se reinventando conforme os problemas surgem e, não duvidem, há problemas e loucuras suficientes para manter a plateia rindo durante todo o filme.

O espectador mais atento notará que La Vingança brinca com as inseguranças masculinas. Os dois personagens principais querem mostrar que podem sair por cima de um episódio triste, porém a vontade não é precedida do preparo. Ao saírem de sua sua zona de conforto, eles assumiram vários riscos. E a cada minuto que se passa nós percebemos que eles estão crescendo como pessoas. Eles erram e insistem em alguns erros, fatos que não impedem de, aos poucos, perceberem o quanto é vazia sua busca. Mais do que isso, a imagem negativa do povo argentino se dissipa, já que são pessoas com os mesmos anseios e sonhos que nós. 
E por falar nos argentinos, parabéns pela escolha do elenco estrangeiro. As atuações de Ana Pauls, Gastón Ricaud, Adrian Navarro e Aylin Prandi são muito boas e condizem com aquilo que esperamos em uma comédia.

Agora, assistam a esse surpreendente e divertidíssimo filme para saber até onde essa vingança foi. Garanto que desfrutarão dos mais divertidos momentos em uma comédia dos últimos anos. E se você achou Minha Mãe é uma Peça  2 engraçado, leve um lenço para secar as lágrimas de tanto rir com essa produção que conduz o espectador para uma aventura bem estruturada, divertida, cheia de surpresas e cujo maior mérito é nos apresentar esses dois atores fantásticos e um elenco argentino (exceto a francesa Aylin Prandi) capaz de quebrar a barreira do "ódio" entre nós e eles. 

DADOS TÉCNICOS.

Direção – Fernando Fraiha e Jiddu Pinheiro.
Elenco – Felipe Rocha, Daniel Furlan, Ana Pauls, Leandra Leal, Aylin Prandi, Adrián Navarro e Gastón Ricaud.
Roteiristas – Thiago Dottori, Pedro Aguilera, Jiddu Pinheiro, Felipe Sant’Angelor e Fernando Fraiha
Coprodução – Querosene Filmes, Paris Filmes, Zarlek Producciones, Biônica Filmes,Telecine e Globo Filmes.

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