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segunda-feira, 23 de maio de 2016

Relatos Selvagens (Relatos Salvajes). Análise do filme.





Por: Franz Lima. Curta nossa fanpage: Apogeu do Abismo. #apogeudoabismo

Relatos Selvagens (Relatos Salvajes)
O filme é composto por alguns curtas. Em cada um deles nós, espectadores, somos surpreendidos por tramas repletas do macabro, da morte, ódio e traição. Mas há lições embutidas nesses curtas. Lembretes de nossas fragilidades e das sequelas de nossos atos. Um dos produtores do filme é Pedro Almodóvar e a direção e roteiro ficaram a cargo de Damían Szifron.
Pasternak.
Um voo. Um crítico de arte resolve puxar papo com uma modelo. No meio da conversa, ela descobre que tem uma pessoa de seu passado em comum com o do crítico. Logo, essa coincidência irá se expandir para outra pessoa do voo. Algo os colocou juntos, mas por que?
Um relato curto sobre a lei da ação e reação e, sobretudo, sobre a falta de limites para o homem tomado pelo rancor.
As ratazanas.
Um homem com um passado negro, explorador da desgraça alheia, se depara com uma de suas vítimas. Ele não a reconhece, mas ela lembra-se dele. O que ocorrerá?
O ponto especial desse “episódio” fica no recado ao público: nossas ações podem refletir em quem amamos.
O mais forte.
O que poderia dar errado em um passeio por uma autoestrada? Será que uma ofensa, comum no trânsito, tem potencial para algo além da raiva? Esse episódio mostra o quanto o descontrole emocional pode prejudicar pessoas. Tenso e surpreendente.
Bombinha.
Um técnico de demolição tem seu carro rebocado por estacionar em local inapropriado. Para resgatar o carro, ele se atrasa para o aniversário da própria filha. Sua revolta com o sistema e os problemas pessoais o levam a surtar. A partir daí, tudo dá errado.
Até onde um homem pode suportar a pressão de um mundo capitalista, estressante e indiferente aos problemas dos outros? Essa pergunta é respondida nesse episódio que lembra muito o filme Um dia de Fúria.
O final surpreende pela leveza.


A proposta.
Um garoto bêbado atropela uma mulher grávida. Seu pai, riquíssimo, resolve comprar alguém para assumir a culpa. Mentiras, chantagem e uma verdadeira demonstração do poder corruptor do dinheiro aparecem em A proposta. O ponto alto deste curta está nos resultados das escolhas ao final. 
A ética e a moral são postas à prova a todo instante.


Até que a morte nos separe.
Uma bela festa de casamento. Família. Noivos. Alegria sem medidas.
Amigos de infância, parentes distantes, amigos do trabalho... todos reunidos. Todos mesmo, inclusive a amante do noivo. Mas as mentiras têm pernas curtas e o segredo é revelado a quem jamais deveria: a noiva.
O curta é tenso, impregnado de rancor. Mostra, sem qualquer alívio, que somos responsáveis por nossos atos, mas, sobretudo, que eles podem refletir sobre nossa vida e as vidas dos que amamos.
Porém, mais do que uma história sobre traição, somos apresentados ao universo dos sentimentos humanos, indecifráveis e, literalmente, imprevisíveis. Acreditem: vocês irão se surpreender.
Nota final.
Os filmes são uma amostra da instabilidade do comportamento humano. O certo e o errado oscilam, enquanto frágeis destinos são alterados por gestos tidos ‘corriqueiros’. Nada é tão simples. Nada está tão ruim que não possa piorar.
Assistam esta obra e se preparem para ter os estômagos abalados. Alguns irão se identificar com uma ou outra história, mas é certo que todos os espectadores sairão diferentes após ver Relatos Selvagens.
Alguns sites apontam o filme como comédia. Podem ter certeza de uma coisa: não há motivos para rir em Relatos, apenas refletir.
Obra 100% recomenda pelo Apogeu.
Dados Técnicos:
Ano: 2014

Direção: Damián Szifron
Roteiro: Damián Szifron
Elenco: Darío Grandinetti, Diego Gentile, Diego Velázquez, Erica Rivas, Julieta Zylberberg, Leonardo Sbaraglia, Liliana Ackerman, María Marull, María Onetto, Mónica Villa, Nancy Dupláa, Oscar Martínez, Osmar Núñez, Ricardo Darín, Ricardo Truppel, Rita Cortese
Produção: Agustín Almodóvar, Esther García, Hugo Sigman, Matías Mosteirín, Pedro Almodóvar
Fotografia: Javier Julia

Montador: Damián Szifron, Pablo Barbieri Carrera

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Um comentário:

  1. Filme surpreendente. Fico feliz em saber que há vida inteligente no cinema.

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