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sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Thunderbolts: fé em monstros. Ação em uma trama perfeita.




Por: Franz Lima.

Vou iniciar a resenha com uma constatação que precisa ser dita: essa graphic novel tem que ser adaptada para o cinema. 
'Thunderbolts: Fé em monstros' é uma da melhores histórias da Marvel que li nos últimos anos. Fato raro, reli a trama umas três vezes só para "saborear" cada cena e diálogo nela contidos. Afinal, a combinação do talento para a escrita de Warren Ellis com o traço magnífico de Mike Deodato não poderia dar em outro resultado. 
Antes de continuar a resenha, vou adiantar aos leitores: esta é uma obra obrigatória na coleção de qualquer leitor, sem exageros.

A política 

Pode não ser algo muito divulgado, porém os EUA e outros países de grande poderio militar costumam enviar tropas 'civis' para zonas de conflito. Chamados por alguns de mercenários e por outros de patriotas, o fato é que há lugares onde esses indivíduos estabelecem um poder paralelo ao militar onde, por diversas vezes, sua influência e força política superam as dos combatentes militares. Infelizmente, esse excesso de poder pode influenciar negativamente a mente de alguns "soldados" que chegam a agir com maior rigor e, às vezes, descontroladamente.
Tal qual os "soldados da fortuna", os Thunderbolts são uma tropa de elite que é acionada pela promessa de um pagamento vultuoso, além de algumas regalias que serão concedidas após o fim definitivo de suas missões.
O governo precisa de quem se oponha ao 'inimigo'. Logo, contratar um grupo de profissionais em combate é algo até viável. Mas os Thunderbolts não são profissionais, são assassinos cruéis e com uma extensa ficha criminal. Isso sem contar a absoluta falta de senso moral em alguns deles. 
O resultado da reunião de um grupo tão instável não poderia ser outro além do caos e morte.


Os fatos que antecederam a trama


A equipe é a resposta para um conflito que ameaçava a integridade da própria nação estadunidense: a Guerra Civil. Caso não esteja familiarizado com esta história, saiba que o governo determinou o "cadastramento" dos heróis. Entretanto, entenda-se por cadastramento o ato de revelar a identidade secreta, fato que limita muito o poder de ação do super-herói. Assim sendo, um grupo optou por ter a identidade revelada ao mundo (onde o Homem-Aranha é um deles) e outro grupo opositor, liderado pelo Capitão-América, que se nega a ter sua vida particular devassada pelo governo. Eis os ingredientes para um dos mais violentos conflitos da história da Marvel. Essa Guerra Civil gerou atitudes extremas, incluindo a retomada de um grupo alternativo: os Thunderbolts. 
Recomendo que busquem as tramas anteriores a esta (inclua a série Massacre), pois há muito a ser lido. E o material é muito bom, óbvio.

Tommy Lee Jones

Norman Osborn surge nesta narrativa como o líder - escolhido pelo governo - que comporá uma nova equipe Thunderbolt. Suas escolhas são potencialmente perigosas. Ele seleciona o Homem-Radioativo, um chinês que é um dos mais centrados do grupo, mas uma ameaça por seu poder; Suplício, um jovem com a mente destruída, cujo poder só é acionado pela dor extrema; Espadachim, um combatente hábil com a espada, porém sem escrúpulos; Rocha Lunar, cuja noção de "moral" é quase tão baixa quanto seu apetite por sexo e morte; Soprano, a antiga líder da equipe e amante do Barão Zemo, mas o elo forte do grupo e Venom, cuja sede de destruição supera o do antigo portador do simbionte.
Para manter cada um desses elementos sob controle, Osborn, caracterizado em homenagem ao ator Tommy Lee Jones, oferece uma pequena fortuna e o perdão do governo - ao final do contrato - somados a implantes nanotecnológicos que são capazes de eletrocutar o agente e nocauteá-lo... ou até matar.


Inversão de papéis

Essa é a base do roteiro de Thunderbolts. Os heróis de outrora foram transformados em párias, ao passo que os vilões passaram a ser agentes do governo. Com essa inversão de papéis somada à malignidade inerente aos vilões (ou os monstros do título da história), os resultados não poderiam ser piores.
Warren Ellis dá uma clara visão do que pode ocorrer quando o mal assume o controle. A total ausência de escrúpulos recebe uma dose extra de força ao se mesclar à vingança que só esperava uma oportunidade para surgir, já que estava entranhada nas mentes da maioria dos componentes dos Thunderbolts. Vocês verão a verdadeira antítese dos Vingadores.


Propaganda e marketing

Esse é outro aspecto interessantíssimo da graphic novel. Ellis e Deodato criaram uma trama em que a atualidade é retratada com fidelidade. Essa realidade está representada pelo marketing sobre a equipe de "ex-vilões". Afinal, propaganda é a alma do negócio. 
A equipe recebe a atenção da imprensa e cada uma de suas ações é tratada como notícia importante, recebendo máxima divulgação. Isso é bom por um lado, porém pode ser desastroso caso as ações dos Thunderbolts saiam do controle. Cabe relembrar que um grupo de assassinos e psicopatas é algo muito difícil de ordenar, logo...
Um ponto curioso é a criação de bonecos 'colecionáveis' da equipe. Osborn chega a citar que o rosto de uma das integrantes é o fator decisivo para a permanência dela na equipe "pois o rostinho bonito ajuda a vender os bonecos...".
Destaque para a visão que a imprensa e a população têm dos heróis sem registro, cujas imagens estão correlacionadas ao mal. Nem o Capitão América escapa desse estereótipo criado pelo governo e as mídias.


Ação em doses massivas

Pode se preparar para um verdadeiro blockbuster de ação. Além de um roteiro enxuto, voltado não só para os Thunderbolts, Warren e Deodato são os responsáveis por uma das mais empolgantes tramas da Marvel que já li. A ação só é interrompida por passagens coerentes, cheias de diálogos interessantes e tramas paralelas que dão mais força e credibilidade à história. 
Os conflitos existenciais e o poder de manipulação de Norman Osborn mostram o tempo todo a instabilidade de uma equipe à beira de um colapso. Afinal, as lições de Frankenstein mostram que não há nada mais difícil que a responsabilidade sobre um monstro.
Preparem-se para o conflito final dos Thuderbolts contra um de seus alvos. Apesar do poderio de combate, as coisas não irão sair como o planejado, fato que irá resultar nas melhores cenas de luta de toda a graphic novel. Caso tenha assistido o filme 'Capitão América: o soldado invernal' e gostou da ação, então certamente irá enlouquecer com essa revista.

Recomendação com 5 estrelas...

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