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quarta-feira, 18 de junho de 2014

Pó.





Por: Franz Lima.

Voltando no tempo e refletindo sobre atos e consequências, finalmente vejo o que desperdicei. 
Usufrui da juventude e de suas atitudes irrefreáveis. Escalei montanhas e ao chegar ao topo de cada uma delas, percebi que o intuito era unicamente demonstrar força. Lutar contra a altitude não era uma meta, mas demonstrar a outros que disso eu era capaz, isso sim me dava prazer.
Ascendi e deixei muitos para trás. Pessoas que estavam ao alcance de minhas mãos foram descartadas. Sentimentos foram simulados para ter a carne que desejei. 
E assim, cruel e egoísta, passei longos anos a caminhar entre vocês.
Mas a morte não faz diferenciação. Ricos, saudáveis, jovens ou velhos. Não importa. Cedo ou tarde todos nós seremos chamados aos braços do Anjo da Morte. Todos teremos nosso momento único ao lado dela, porém esse momento pode ser prolongado e, conforme seu merecimento, com muito sofrimento e dor.
Hoje, retornarei ao pó de onde vim. Porém é válido dizer que esse retorno será pleno de angústia, solidão e agonia. Tudo que fiz para aqueles cujo desprezo e ódio dediquei minha vida, finalmente terá a justiça feita.
Estou ferido, humilhado e fui jogado junto a outros. Todos somos essencialmente maus e, agora, nada mais nos resta. O som do registro de gás sendo aberto me assusta. Sei o que me aguarda, mas isso em nada diminui minha dor.
O fogo nos abraça. Estou vivo o suficiente para sentir a pele encolher e os nervos perderem, lentamente, a sensibilidade. É hora de retornar ao pó...
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