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segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Quando a morte encerra uma Era.




Por: Franz Lima.
Já falei sobre as irreparáveis perdas que o humor nacional (e internacional) tem sofrido ao longo dos anos. Homens e mulheres que fizeram gerações rir com suas piadas e tiradas geniais. É impossível não sentir falta de nomes como Chico Anysio, Millôr, Chaplin, Nair Bello e outros incontáveis ícones que se despediram e deixaram lacunas que não podem ser preenchidas.
Mas a morte não faz distinção entre bons e maus e, consequentemente, os ruins também partem. Não vou me dar ao trabalho de citar assassinos, ditadores e outros monstros que transitaram por este mundo. Eles não merecem.
Agora, lendo as notícias, vi que mais um dos bons homens se aproxima de sua partida. Depois de uma luta ferrenha contra o Apartheid e a discriminação/segregação extremas em seu país, parece que a saúde de Nelson Mandela dá indícios de que o peso do tempo já está quase insuportável. 
Por mais natural que isso seja, a morte sempre irá chocar. Entretanto, o que mais assusta e abala é a forma como ela chega e, nesse caso, as coisas estão extremamente difíceis. Mandela sobrevive em um ambiente esterilizado e está fragilizado ao extremo. Sua esposa o acompanha, fazendo o papel de mulher e companheira. Nada mais justo... 
Já vi muitas pessoas mortas e acompanhei um número relativamente grande de outras partindo. Não há glórias nisso, exceto o fato de que em alguns casos, lutamos para preservar a centelha de vida. Mas Nelson Mandela se tornou um ícone de um povo e, com o tempo, uma referência para o mundo. Centenas de milhões comemoraram sua liberdade e a eleição dele para presidente de África do Sul. Ele foi um exemplo e sua imagem está imortalizada nos anais da História da humanidade. Talvez por isso, seja tão difícil vê-lo próximo do fim. Talvez haja um mecanismo de defesa na mente de cada um de nós que, involuntariamente, seleciona apenas os mais sublimes momentos de pessoas que amamos ou admiramos. Isso explicaria o impacto de vê-los definhando. Queremos manter nossos heróis sempre no auge, mas isso só é possível na ficção. A vida real é sempre dura e cruel, não importando o quão importante tenha sido a pessoa. 
O fim de uma era se aproxima com a morte de mais um ícone. Não é pessimismo, é um realismo extremo. 
O único alento é que, ao contrário de Cazuza, meus heróis não morreram de overdose.
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