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terça-feira, 28 de maio de 2013

Resenha do livro 'O Espadachim de Carvão', do autor Affonso Solano.






Por: Filipe Gomes Sena.
            Alguns meses atrás li uma noticia sobre a criação do selo Fantasy, selo breasileiro de literatura fantástica encabeçado por Raphael Draccon. Quando soltaram essa noticia anunciaram também alguns dos autores que fariam parte desse selo. Minha surpresa foi ver entre eles um dos membros fundadores do podcast Matando Robôs Gigantes, Affonso Solano. Eis que uns dias atrás eu terminei de ler o primeiro livro do nosso compadre podcaster de barbixa. Estou falando de O Espadachim de Carvão.
            Antes de começar a falar do livro em si, devo lembrar aos fieis leitores deste blog que normalmente eu faço resenhas de histórias em quadrinhos, mas como eu tenho lido pouca coisa digna de nota recentemente resolvi me aventurar em territorios desconhecidos e decidi falar sobre este livro. Por isso, me desculpem qualquer coisa e vamos continuar.


         
      Em O Espadachim de Carvão somos apresentados ao mundo de Kurgala. Mundo este que foi de certa forma abandonado pelos seus deuses e deixado nas mãos das especies sapientes que lá habitam. Os deuses, chamados Dingirï, se isolaram do mundo, recolhendo-se às suas casas. E em uma dessas casas foi onde cresceu o nosso simpático protagonista, Adapak. Adapak tem três caracteristicas principais: a primeira é que, por ter sido criado isolado do mundo e ter lido muitos livros de fantasia, ele é muito ingenuo e não sabe muito bem como funciona o mundo “real”. A segunda caracteristica é que ele é um espadachim muito habilidoso, mas quando eu digo muito habilidoso eu não estou exagerando, ele provavelmente só não supera a habilidade de seu mestre, Telalec, fora ele não consigo lembrar de algum personagem que chegasse perto do nivel de pericia do nosso heroi. A terceira caracteristica de Adapak é a sua aparencia. Antes que você possa dizer que eu estou sendo um pouco racista com a minha colocação é preciso lembrar uma coisa: em um mundo com várias formas de vida sapientes convivem juntas, todas elas com aparência e caracteristicas únicas e muito particulares, é praticamente impossivel não ter um pensamento ligeiramente racista. De fato o problema não é você ser careca, não ter nariz nem orelhas e a pele preta que nem carvão, o problema é ser o unico no mundo com essa aparencia, principalmente quando tem um monte de gente querendo te matar.
A narrativa de O Espadachim de Carvão é bem curta e conta a historia de como Adapak se viu do nada perseguido por uma horda de assassinos em um mundo que ele só conhece dos livros, enciclopédias e coisas do tipo. Essa é a narrativa principal, mas os capitulos que contam o presente de Adapak são intercalados por capitulos que contam fatos relevantes da sua vida, desde a infancia até o momento que começa a sua luta contra os seus perseguidores. Não muito diferente do que Eduardo Spohr faz em seus livros, mas de forma bem mais equilibrada, oferecendo ao leitor uma experiencia de esclarecimento dos fatos muito similar à experiencia que o protagonista tem em relação ao que está acontecendo, de maneira que no final tanto o leitor quanto Adapak tem total compreensão do que está acontecendo.
A narrativa de Solano é bem resumida, sem detalhes desnecessários ou descrições exageradas. A acão também é narrada de forma bastante interessante e a tecnica dos Circulos de Tibaul utilizada por Adapak é uma das provas de como o mundo de Kurgala é recheado de elementos fantasticos bem originais. Porém confesso que este livro em particular foi um desafio à minha imaginação. Não consegui mentalizar de forma satisfatória os seres vivos de Kurgala, em alguns momentos a falta de descrições mais precisas deixou minha imaginação um pouco “frouxa” e as imagens não apareciam muito claras na minha mente,  nada que atrapalhe de fato, mas me incomodou um pouco. Fico desejoso de por um “Livro dos Monstros” de Kurgala.
O tamanho do livro também é um problema: ele é curto. A propria parte final é desenvolvida ao longo de poucas páginas. Creio que com mais algumas descrições dos seres de kurgala e uma construção um pouco mais longa da parte final da historia o livro ganharia mais umas 35 ou 40 páginas e não ficaria arrastado, lembrando que ele tem 255.
Affonso Solano
Uma das coisas que chama bastante atenção são as citações feitas no começo de cada capitulo aos livros de Tamtul e Magano, serie de aventura lida compulsivamente por Adapak ao longo de toda sua vida. Citações essas que passam muito bem para o leitor o clima do capítulo que está sendo iniciado. O proprio Adapak gosta de citar frases de efeito ao longo de toda a história, como todo bom leitor desse tipo de história, mesmo que tais frases não estejam em nenhuma dessas historias.
Por fim gostaria de dizer que O Eapadachim de Carvão é uma leitura bastante divertida e muito agradavel, o texto é simples, mas de maneira nenhuma é pobre. Kurgala é um mundo muito interessante, que apesar de fantasioso nos é apresentado de maneira bastante crivel, muito crua em alguns momentos. O nivel de violencia é realtivamente alto pra uma obra desse tipo, o que reforça a forma “real” de como o mundo é retratado.
Pelo que eu ouvi falar recentemente, O Espadachim de Carvão é o primeiro livro de uma série, o que eu acho bem justo, já que o universo de Kurgala foi muito pouco explorado nessa primeira historia e o próprio Adapak mostra potencial pra viver muitas outras aventuras, assim como os irmãos Tamtul e Magano. Eu poderia encerrar essa postagem por aqui, mas eu quero colocar uma das frases de O Espadachim de Carvão que mais marcou a minha memória:
Monstros não existem
Magano, em Tamtul e Magano contra o Gigante de Vidro
            Ao autor me resta dar os parabéns pelo trabalho bem feito, aguardo com grandes espectativas pela continuação. E eu lanço um desafio para Affonso Solano, no próximo livro “Seja Melhor”, não vai ser nada facil, mas se fosse não seria um desafio. 


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