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segunda-feira, 6 de maio de 2013

Para inglês ver. A realidade do Rio de Janeiro.






Por: Franz Lima
Sou um cidadão honorário do Rio de Janeiro. Eu adotei esta cidade como minha. Paulista, já tenho mais de 28 anos como morador da Cidade Maravilhosa. Aprendi a amar esta que é uma das mais belas localidades do mundo. 
Mas o Rio nunca foi essa 'beleza' que está hoje.
Muitos e muitos anos de corrupção e banditismo trouxeram o caos e o medo para os cidadãos, não importando a classe social, credo ou cor. O futuro era incerto e sinistro. 

Então, num belo (???) dia, movidos pelo apelo popular e por pressões políticas, nossos governantes decidiram por um fim ao império do mal. Era a hora de virar o jogo e mostrar ao tráfico e aos corruptos que ainda havia esperança. A decência tomaria o lugar do jogo de influência, a segregação social não mais seria a realidade dos que vivem à margem. Enfim, o tempo quase profético de melhorias e respeito pelos direitos civis e pela dignidade tornar-se-ia verdade.
Quase que milagrosamente, comunidades pobres foram pacificadas. O adventos das UPP (Unidades de Polícia Pacificadoras) surgiram com a promessa de fim do tráfico, paz e uma nova era às regiões antes dominadas pelo terror imposto pelos traficantes e até por outros policiais. 
As UPP também favoreceram algumas outras áreas: imóveis tiveram seus valores quase triplicados, unidades volantes de ensino puderam chegar às favelas  (hoje, politicamente falando, chamadas de 'comunidades') e a violência diminuiu drasticamente. 
Então, será que a tão aguardada paz chegou? 
(Silêncio)...

Não, leitores. O Rio de Janeiro está longe de ser a Cidade Maravilhosa que todos desejam. A violência está camuflada. As comunidades continuam com o tráfico, porém menos armado e mais às escuras. Mas a venda de drogas ainda existe e, aos poucos, recupera seu poder. Chegará o dia em que a manutenção da paz será transformada em moeda de troca. Ou votamos em quem proporá a continuidade das UPP ou o caos retornará em dias. Alguém duvida que estaremos à mercê desses políticos corruptos que se valerão dessa artimanha a partir de 2016? O fim das Olimpíadas pode ser o início do fim da própria paz.
Então, pensariam os otimistas, não somos o país das Olimpíadas e da Copa? Não temos um Maracanã novo? As reformas por toda a cidade não estão beneficiando a população? Sim, mas que população? Porque se reavivarmos a memória, é na zona Sul que impediram o acesso de vans, é na Linha Vermelha que colocaram painéis que disfarçam as favelas. Não vejo esse progresso absurdo citado pelos otimistas, mas também não concordo com os pessimistas.
O que concluo é que a balança continua pendendo para o lado dos mais privilegiados. As reformas e a contenção da criminalidade só aconteceram em prol da fortuna que poderá ser arrecadada com os dois maiores eventos esportivos do mundo, sediados aqui. Por que não fizeram isso tudo antes?

Há soluções para essa cidade. Há formas de se combater o crime verdadeiramente. Tudo, entretanto, depende da voz popular e da coragem dos que estão no poder para transformar esse "país (leia-se cidade) das maravilhas" em uma realidade mais coerente. Não aguardamos que tudo seja resolvido de uma hora para outra, mas é preciso frisar que esconder traficantes na periferia e na região dos Lagos também não muda muita coisa. Tirar ou mascarar as imperfeições de áreas infestadas pela decadência de anos à mercê do crime e da pobreza não é motivo de comemoração.
Odeio fazer o papel de porta-voz da má notícia, porém não vejo outra opção. Enquanto enfeitam as cidades para os turistas, treinam grupos anti-terroristas e escondem a real pobreza daqui, milhões são desviados em obras superfaturadas e em campanhas publicitárias. 
Quero um Rio de Janeiro bonito e em paz, que seja verdadeiro. Esse paraíso que só a utopia pode criar é algo dispensável. Ninguém jamais irá conseguir igualar pobres e ricos, o que não implica em não morrer lutando para isso.
Que venham a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos. Turistas sejam bem-vindos. Todavia, também esperamos pela chegada de dias mais pacíficos e igualitários. Não há sentido em construir um castelo na areia da praia. Não há lógica em morrer após tanto nadar. Que todos os benefícios se multipliquem e que eles sejam realmente um direito do cidadão carioca; jamais uma moeda de negociação com fins de beneficiar uns poucos. 
Alertem o mundo sobre a real situação de uma cidade tão maquiada quanto a face de um palhaço... cujas lágrimas podem voltar a correr em breve.
  

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