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sexta-feira, 17 de maio de 2013

Do teu ventre (pois todos os dias devem ser dedicados às mães).






Por: Franz Lima.

Jamais procurei minha origem em um lugar específico. Nasci em uma região qualquer, assim como todos, porém não sou de lá. Há algo mais forte e verdadeiro que me torna cidadão do universo. Limitações geográficas perdem o sentido quando lembro o verdadeiro lugar de nascimento e o que me impeliu a continuar a jornada.
Vim de um útero. Nada mais natural. Esse mesmo útero me abrigou por longos 9 meses, nutrindo meu corpo em formação e protegendo-me de quaisquer ameaças externas. Bastaria, não? Entretanto, ao sair e deparar-me com o frio e a luz ofuscante, ela rapidamente me abraçou e trouxe a suavidade de suas mãos para, novamente, me proteger. Com uma suavidade indescritível, seus lábios tocaram minha pele ainda suja pelo sangue, mas isso não importava. Ter-me próximo a ela era só o que importava. 

Cresci envolto em um amor que só é possível entender quando se é mãe. Não há nada além do ensinamento e de um compromentimento além do normal. 
Mas essa história tem um fim brusco...
Muito cedo, aos 8 anos de idade, minha protetora se foi. A dor não posso sequer narrar, pois tenho medo de que volte a me atingir tão impiedosamente quanto foi na época. Sem ela, as garras de um mundo cruel se fecharam ao meu redor. Eu precisaria aprender a sobreviver, mesmo tão fraco diante de uma perda irreparável. Que fazer?
A vida mostrou-se uma madrasta cruel, fria e seletiva. Muitos tombaram ao meu lado. Muitos desistiram, pura e simplesmente, de seguir a trilha de vidros e lâminas que a vida dá. Então, por que não sucumbi diante de tantas agruras? Qual foi o diferencial?
Para a questão acima, uma simples resposta surge. Eu continuei protegido pela mulher que me deu à luz. Não uma proteção física, pois há muito partira. Eu fui agraciado com a proteção dos ensinamentos, do aprendizado que ela me deu durante cada um de nossos dias juntos. Valorosas lições.
Hoje, a imagem de sua face está distante. O rosto é uma tênue lembrança, nada mais. Entretanto, uma coisa jamais irá desaparecer: o amor e a gratidão que tenho por tudo que ela, em tão pouco tempo, fez por mim. 
A morte tirou de mim a presença física, os carinhos e os beijos da mais apaixonada das mães, mas isso não é o fim. Chegará o dia em que estaremos novamente juntos, pois esse é o destino dos que amam. Chegará o dia no qual poderei deitar novamente em seu colo e receber o afago que tanto faz falta. Chegará o dia em que terei de volta a doce e bela sensação de estar tão protegido quanto estava em teu ventre. Enquanto isso, vivo cada dia com a certeza de que o fim só existe para quem nunca viveu o amor.
Saudades... sim. Tristeza... nunca.
Que todos os dias sejam dedicados a vocês, mães amorosas.
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