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terça-feira, 20 de novembro de 2012

Resenha de Astronauta Magnetar. Por Filipe Sena




Por Filipe Sena
 
No fim do ano passado vi uma notícia sobre um selo de graphic novels da Maurício de Sousa Produções, o Graphic MSP. Através desse selo seriam publicadas histórias adultas com personagens da Turma da Mônica. Quase um ano depois de ter ficado maluco com a ideia do projeto e muito curioso pelo resultado é lançada a primeira HQ do selo Graphic MSP: Astronauta Magnetar, de Danilo Beyruth.
Antes de Magnetar eu já tinha lido outra HQ de Danilo Beyruth, Bando de Dois, sobre a qual eu fiz uma resenha pro Apogeu. Sem me alongar muito vou me limitar a dizer que é uma leitura que vale muito a pena. E foi justamente por ter gostado muito de Bando de Dois que eu criei expectativas altas antes de ler Magnetar. E fiquei muito feliz ao terminar a leitura e ver que elas foram atendidas, arrisco dizer que foram superadas.
A primeira coisa que chama atenção é a qualidade do volume. Comprei a edição com capa cartonada e não me arrependi. Apesar do numero pequeno de paginas, pouco mais de 80, a qualidade do papel e as dimensões do volume, um pouco maiores que uma edição em formato americano, fazem valer cada centavo.

Quando comecei a ler me deparei com uma história que tinha tudo que eu encontrava nas HQ do Astronauta que eu lia nas revistas da Turma da Mônica: o Astronauta viajando pelo espaço em sua nave esférica acompanhado apenas pelo seu computador e por um grande desejo de explorar o desconhecido, normalmente se metendo em alguma confusão durante suas explorações. Em Magnetar a história começa quando o Astronauta vai estudar o magnetar, um fenômeno que acontece com algumas estrelas que estão morrendo, mas quando alguma coisa sai muito errado o Astronauta se vê preso sozinho no campo de asteroides que circunda o magnetar e é a partir daí que começa a história de verdade.
Apesar de ser uma história de ficção cientifica, Magnetar tem um enredo no melhor estilo históias de naufrágio. Trata sobre a solidão e o mais interessante é notar os efeitos dessa solidão no Astronauta, e de como ela traz à tona todos os medos e fantasmas do passado do nosso herói. Ao longo da história vemos a quantidade de coisas que o Astronauta teve que abrir mão para poder dedicar sua vida à exploração do espaço. É de impressionar também a mudança nas atitudes do Astronauta. No começo, ele parece bastante confiante, tranquilo e de certa forma satisfeito com a sua vida de explorador, mas por passar muito tempo perdido sozinho ele se torna um homem paranóico, quase insano, e conforme isso vai acontecendo, a leitura dessa HQ vai mudando de uma experiência puramente agradável e para uma leitura angustiante, tudo de um jeito bem lento e progressivo. Tanto que ao terminar a leitura, me senti aliviado com a resolução de tudo.

Magnetar oferece um nível de imersão que só as boas HQ conseguem oferecer, além de uma arte indiscutivelmente boa, o texto é ótimo e o ritmo não é acelerado demais e muito menos arrastado. É fácil perceber que essa foi uma obra feita com um cuidado extremo. Além de tudo isso, a edição ainda tem um material extra com as primeiras versões dos uniformes e da nave do Astronauta, storyboard, ideias não aproveitadas e umas coisinhas mais, tudo comentado por Danilo Beyruth, comentários esses que dão várias pistas de como era a história nas primeiras versões do roteiro. Mas o mais legal do material extra é a primeira história do Astronauta publicada em 1963 no suplemento juvenil do jornal Diário de São Paulo.
Pra finalizar, eu digo que Magnetar é uma HQ excelente. Altamente recomendada, principalmente pra quem lia Turma da Mônica quando era mais novo, ou até um dia desses já que pra mim os quadrinhos são divertidos até hoje. E o nível de qualidade da história, da arte e do próprio volume em si, me faz esperar ansioso pelas próximas publicações do selo Graphic MSP e me faz desejar fervorosamente que um dia seja lançada mais uma HQ do Astronauta sob os cuidados de Danilo Beyruth, que soube brincar tão bem com os brinquedos que Maurício de Sousa emprestou pra ele.
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2 comentários:

  1. Apesar de não ser um consumidor de HQs na mesma intensidade que consumo livros, acho mais interessante selos que trazem produções distintas dos super-heróis mascarados, o motivo, para mim, é que não consigo me ver tendo a paciência de colecionar centenas de números que, muitas vezes, tem mais enrolação do que uma história que me prenda. Gosto de tramas que falem sobre isolamento, pois costumam suscitar um bom debate sobre a mente humana. Desconhecia o selo Graphic MSP até o presente momento, mas, assim como você, torço para que se mantenha ofertando ao leitor material de qualidade. Não fui um leitor fiel da Turma da Mônica, mas acho muito difícil encontrar um brasileiro que nunca ouviu falar das histórias.

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    1. Quadrinhos receberam a denominação de Nona Arte não foi à toa. Há inúmeras obras de altíssimo nível que precisam ser divulgadas. Astronauta e as demais obras do selo MSP prometem material de qualidade internacional, mas com o talento brasileiro. Logo, aposto todas as fichas nesse projeto.
      Obrigado pelo comentário, brother...

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