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terça-feira, 4 de setembro de 2012

Resenha do livro "O jovem Sherlock Holmes: Parasita Vermelho".




Título Original: The Young Sherlock Holmes: Red Leech
Título Traduzido: O Jovem Sherlock Holmes: Parasita Vermelho
Ano de Publicação: 2010
Ano de Publicação no Brasil: 2012
Páginas: 320
Personagens: Sherlock Holmes, Mycroft Holmes, Amyus Crowe
ISBN: 9788580571745
Tradutora: Débora Isidoro
Disponível no Brasil pela Editora: Intrinseca (2012)

Resenha

Em “O Jovem Sherlock Holmes: Parasita Vermelho”, o então futuro detetive mais famoso da literatura recebe a visita do seu irmão mais velho, Mycroft Holmes, na mansão Holmes, em Hampshire. Entretanto, a visita do irmão mais velho não visa somente estreitar os laços familiares, mas sim alertar a ele e a seu tutor, Amyus Crowe, sobre um perigoso criminoso que está a solta. Há indícios muito fortes de que o assassino mais procurado do mundo e que já fora dado como morto, está, na verdade, escondido no interior da Inglaterra. Graças a seu instinto aventureiro, Holmes acaba se envolvendo, mesmo conta a vontade de seu irmão e de seu tutor, em uma misteriosa e envolvente aventura que tem destino certo; a América, onde um exercito que já fora tido como derrotado está se reformulando, se reerguendo aos poucos da escuridão.

Quando conclui minha rápida leitura das 320 páginas que compõem o romance “O Jovem Sherlock Holmes: Parasita Vermelho” (segundo volume de uma série que, como diz o próprio título, narra as aventuras do então Jovem e inexperiente Sherlock), a primeira impressão que tive foi a mesma que tinha quando iniciei a leitura: “Isso é tudo, menos Sherlock Holmes”. É claro que de um ponto de vista pragmático isso não quer dizer necessariamente que o livro seja ruim (digamos que ele é apenas “diferente”). Com exceção das diversas e inevitáveis referências ao universo do celebre personagem de Sir Arthur Conan Doyle (que, ao meu ver, funcionam mais como uma homenagem ao personagem que inspirou as aventuras narradas no livro, e que definitivamente não devem ser levadas a sério) nada no romance lembra o prático Holmes com o qual estamos acostumados. O autor sequer se deu ao trabalho de emular o estilo de escrita de Doyle (e nesse ponto, pelo menos, ele foi extremamente feliz). Ao invés disso ele optou por mostrar um Holmes mais carismático e menos metódico, um Holmes que ainda não é nem de longe a sombra do famoso detetive que um dia se tornaria, mas que já demonstra traços característicos de sua futura e intrigante personalidade.

O autor
Diferente dos outros 56 contos e 4 romances do Sherlock original, nessa nova versão, a releitura moderna não tão moderna assim, de um dos maiores clássicos da literatura inglesa, o carro chefe é a ação. Quem já leu os originais de Sir Doyle sabe que os empenhos físicos de Holmes se limitam às peripecias exageradas realizadas pelo personagem de Robert Downey Jr nas novas versões cinematográficas que, apesar de não fazerem tão juz assim à obra original, funcionam muito bem como releituras independentes do clássico. O fato é que em “Parasita Vermelho” Andrew Lane optou por simplesmente renegar o poder de lógica de dedução de Holmes a um segundo (e consideravelmente menos importante) plano. Levando, muito provavelmente, em consideração a pouca idade do personagem principal (nessa nova versão Holmes tem apenas 14 anos), ele optou por dar aos jovens, que são provavelmente seu público alvo, aquilo que mais os atrai: um texto ágil, desprovido de firulas literárias, recheado com um enredo relativamente simples e um clima de suspense que parece perdurar durante todo o livro, mas que, como qualquer best seller que se preze, padece de uma certa incoerência textual (até agora não consigo compreender a necessidade que os vilões do livro tem de explicar seus planos maléficos, detalhe por detalhe, antes de tentarem dar cabo do coitado do Holmes).

Outro ponto que os fãs de Doyle, ou até mesmos os leitores mais escassos, talvez estranhem, seja a questão do sentimentalismo. Em “O Parasita Vermelho”, o jovem Sherlock tem uma ligação muito próxima, exageradamente emotiva, com seu irmão mais velho, Mycroft Holmes, (que já na época se mostrara infinitamente superior ao irmão no que se diz respeito ao senso de observação e dedução) e com seu mentor, Amyus Crowe. Ora essa... Quem já se aventurou nas páginas dos vários contos e romances do personagem de Doyle sabe que se tem algo que Holmes não é, é emotivo. Orgulhoso em excesso, exageradamente racional e dono de uma erudição sem igual, Holmes quase nunca demonstrou traços de sentimentalismo. Ainda não me aventurei nos outros títulos de Lane lançados no Brasil, portanto não posso dizer como ou se ele irá, em algum momento, abordar essa transição drástica de personalidade. O que posso adiantar é que se isso não for apresentado de alguma maneira no decorrer dos demais livros, haverá um imenso buraco lógico na concepção do passado de um dos personagens mais amados da literatura, que se fosse para ser estragado, seria melhor que permanecesse intacto. Caso contrário, a impressão que ficará é que “O Jovem Sherlock Holmes” (assim como a “continuação oficial” das aventuras de Holmes, escrita por Anthony Horowitz) trata-se apenas de mais um caso não tão raro assim de caça-niqueis literário.

Edilton Nunes tem 29 anos (corpinho de 18 e mentalidade de 10), é criador e administrador do blog www.stephenking.com.br, além de estudante do curso de Letras da UEG (Universidade Estadual de Goiás), pseudo-escritor nas (raras) horas vagas e amante da literatura de suspense/terror e da cultura pop em geral.   
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3 comentários:

  1. Só pra constar: O Livro não é ruim. Na verdade, é bem divertido. Passei pelas 320 páginas em pouco mais de dois dias.

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    1. Brother, gostaria de estar lendo nesse ritmo. Parabéns pela resenha que mostra a seriedade e a verdade com o público.
      Grande abraço...

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