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sábado, 28 de julho de 2012

Resultado da promoção "Alma de Detetive". Via "Apogeu do Abismo" e "Policial da Biblioteca"




A primeira promoção em parceria do Apogeu foi um sucesso. Muitos novos seguidores, vários twitters e um conto selecionado. Obrigado ao apoio inestimável do Ed Jr, do Policial da Biblioteca.
O vencedor é o amigo Edilton, editor do site www.stephenking.com.br. Fico muito feliz pelo apoio de todos e aguardem novas promoções para muito em breve. Lembrem-se: Agosto é o mês de aniversário do Apogeu do Abismo. Muitos sorteios virão... 
Fiquem agora com o conto vencedor:

Ele se chamava João Roberto e como naquela famosa canção antiga, tinha um "opala-metálico-azul”, mas as coincidências paravam por aí, porque ele não costumava pegar rachas na “asa sul” e nem sofreu perdidamente por um amor não correspondido. Coisas que não impediam o jovem João Roberto – com seus grandes e expressivos olhos azuis, seus cabelos loiros ondulados caindo por sobre os ombros fortes – de fazer sucesso com as meninas mais novas do colégio. Foram muitas as vezes em que J.R passara com seu opala em frente ao Liceu, rangendo até a ultima engrenagem suja de óleo, enquanto os alto-falantes do carro “explodiam” tocando “Boys don´t Cry”. E quando ele passava todos diziam; “Vejam... Lá vai o João Roberto com seu opala metálico azul. O cara mais boa pinta do colégio”. As menininhas suspiravam e soltavam gritinhos silenciosos, mas ficava só nisso. Ou ao menos ficou, até aquele ultimo verão, quando J.R conheceu Amanda em uma feira de ciências.

Foi o que ele considerou posteriormente como sendo amor à primeira vista. Seus olhos castanhos ligeiramente esverdeados, seus pequenos lábios rosados e seu corpo de garota em mente de mulher, atraíram o tão cobiçado J.R de uma maneira que ele jamais imaginara. Um mês depois o opala de J.R não se encontrava mais vazio. O estofado de couro do banco do carona agora era sempre ocupado pela garota loira dos olhos castanhos.

E assim o tempo passou e o amor entre os dois apenas aumentou. Concluíram o segundo grau juntos e passaram por todo o resto da adolescência aprendendo um com o outro o verdadeiro significado da palavra “amor”. J.R ingressou na faculdade de veterinária, enquanto Amanda optou por biomedicina na mesma universidade. Eram “unha e carne”, como “feijão e arroz”. “Lados opostos de uma mesma moeda”. Um completava o outro.

Veio então a maturidade. Passaram a viver juntos, sobre o mesmo teto, e com muita luta compraram uma modesta casa em um bairro nobre da cidade. Ambos se formaram ao mesmo tempo e fizeram uma grande festa no quintal da casa, para comemorar.

Todos os amigos estavam presentes, dos mais antigos até os mais atuais. Entre os amigos de Amanda se destacava um jovem robusto e de rosto bonito, que atendia pelo nome de Ricardo (Rick para os íntimos). Rick era do tipo de homem recém saído da adolescência, em certos aspectos bem parecido com J.R. Naquela tarde Amanda apresentou Rick a J.R e ambos conversaram por um bom tempo. Haviam se dado bem. Tão bem que logo se tornaram amigos e resolveram virar sócios de uma clinica veterinária.

J.R aproveitou a boa fase para finalmente pedir Amanda em casamento, em uma tarde de verão ensolarada enquanto passeavam pela praia. Foi tudo muito rápido. Entre o casamento e a lua de mel se passaram exatamente três semanas e quando menos notou, J.R já estava de volta, trabalhando incansavelmente na clinica veterinária, que permanecia gerando lucros.

Dois anos se passaram. J.R ainda trabalhando na clinica, enquanto Amanda cuidava da casa. Certa vez ao chegar em casa mais cedo do trabalho, carregando um belo buquê de rosas na mão direita, J.R notara o carro de Rick estacionado nos fundos da casa. Sobressaltou-se com um pulo, ao ver o amigo saindo de lá. Escondeu-se instintivamente atrás de um arbusto e observou, sem realmente se dar conta do "porque fazia aquilo". Talvez fosse apenas uma visita informal, o que não justificava em nada aquele tipo de reação por sua parte. Mas foi exatamente enquanto pensava dessa forma que J.R sentiu seu coração se partir em mil pedaços, quando ele viu Amanda abraçar Rick carinhosamente, lhe dando um rápido beijo na boca.

Sentindo-se como se uma mão estivesse pressionando seu coração, J.R esmagou o buque de rosas, como se fosse um copo descartável, e naquele momento sentiu um misto horrível de tristeza e raiva. Esperou que Rick fosse embora e alguns minutos se passassem para que ele pudesse entrar na casa, ainda carregando o buquê amassado.
 
Sua mulher o recebeu como sempre recebia. Com um sorriso no rosto, beijos e abraços carinhosos. Havia, entretanto, uma leve mudança em suas feições. Por mais que ele tentasse esconder, a dor era muito forte para ser simplesmente ignorada. “O que houve querido? Aconteceu alguma coisa na clinica?” – perguntou ela. Em resposta J.R apenas moveu a cabeça: “Só tive um dia difícil.”

Naquela noite Amanda preparou a melhor comida que J.R já experimentara em toda sua vida e ele comeu o máximo que pôde, tentando a qualquer custo evitar as lágrimas enquanto o fazia.

J.R não apareceu na clinica no dia seguinte, nem nos outros dois dias. Rick, preocupado com a ausência do sócio (e com a insistência que ele tinha em não atender seus telefonemas) resolveu fazer uma visita e verificar pessoalmente o que estava acontecendo. Chegando lá encontrou a porta apenas encostada, e como quando chamou não obteve resposta, resolveu entrar. Atravessou a sala e a cozinha, chamando pelo casal, e continuou sem obter resposta. Caminhou até o quarto e quando abriu a porta sentiu um cheiro horrível vindo de lá. Não mais horrível do que a cena que viu, e que o deixou em estado de choque.

No quarto, deitada de bruços na cama do casal, estava Amanda, nua, com um machado cravado nas costas e sangue espalhado por todos os lados. Bem em cima dela, pendendo de um lado para o outro, estava J.R, pendurado pelo pescoço em uma corda presa no teto. Embaixo, ao lado do corpo de Amanda, Rick viu um buquê de rosas vermelhas, com um bilhete pendendo entre as pétalas de uma delas, onde estava escrito:

“Nunca deixarei de te amar” - J.R.

E há quem diga que até hoje, em algumas noites de lua cheia, se você se esforçar um pouco, pode ver um opala-metálico-azul, com uma linda garota loira e seu namorado, rondando aquela casa, com o alto falante do carro tocando “Boys don´t Cry”.
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4 comentários:

  1. Valeu Franz! \o/ Fiquei muito feliz por ter meu conto selecioando e mais ainda que tenham gostado dele. Valeu mesmo.

    Abração e mais sucesso ainda pra ti!

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    1. Sempre às ordens, amigo. Contarei sempre com a sua presença nas promoções do Apogeu e, novamente, os parabéns pelo conto e pelos livros que receberá. Abraços...

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  2. Cara, foi muito boa mesmo essa promoção e com certeza muitas outras vão acontecer, agora em parceria com o Leitor Cabuloso! Abraços!

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    1. Aliás, parabéns pela inclusão no Leitor Cabuloso... Abração.

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