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domingo, 10 de junho de 2012

Os Novos 52 - Uma análise da reestruturação do universo DC




Boa tarde galera do Apogeu. Para quem não me conhece, meu nome é Edilton Nunes. Sou estudante do terceiro ano do curso de Letras da UEG (Universidade Estadual de Goiás), criador e administrador do portal stephenking.com.br e aspirante a escritor nas (poucas) horas vagas. Além disso sou apaixonado por livros, cinema, seriados de tv,  arte sequencial (os famosos quadrinhos), enfim... Pela cultura pop em geral. Bom... Apresentações devidamente feitas, chegou a hora de explicar porque vim aqui invadir o espaço do meu grande colega Franz.

Tomei a liberdade de escrever esse pequeno texto para falarmos um pouco mais sobre o badalado “reboot” da Dc Comics, apelidado de “Os Novos 52” (numa clara referência aos 52 personagens que a editora publica atualmente). Trata-se de uma reformulação em todos os personagens de uma das maiores editoras de histórias em quadrinhos do mundo (e aqui incluímos Superman, Batman, Lanterna Verde, Flash e Cia.) que ocorreu aproximadamente há um ano atrás lá na terrinha do Tio Sam, mas que só agora (junho de 2012) está tendo seu material publicado por aqui. Mas chega de enrolação e vamos ao que interessa...

Por que ocorreu essa reformulação e como isso vai afetar a vida do meu super herói favorito?

Quem acompanha o universo dos quadrinhos sabe que de tempos em tempos é necessário “fazer a faxina” na casa (no caso, nas editoras), arrumar a bagunça cronológica dos vários personagens, zerando suas numerações e recorrendo, muitas vezes, à necessidade de recontar e reorganizar suas histórias. Esse tipo de procedimento não é inédito. Já aconteceu mais de uma vez, com a própria DC (Vide, por exemplo, as sagas “Zero Hora” e “Crise nas infinitas terras”). A principal diferença desse reboot para os outros é que agora TODOS os 52 personagens da DC tiveram suas edições zeradas e foram reformulados, alguns mais drasticamente, outros menos. Numa ação inédita por parte da editora, também passaram a ser vendidas, simultaneamente, as edições digitais das HQ´s, dando a oportunidade dos leitores acompanharem suas histórias favoritas no mesmo dia em que elas saem nas bancas. Além disso a DC optou por pegar firme na ação da Marketing, com comerciais no cinema e na tv. As ações estrategicamente pensadas de Jim Lee e companhia renderam bons frutos e agora, após um ano, finalmente os fãs brasileiros poderão acompanhar o lançamento dos Novos 52 por aqui. A Panini, editora responsável pela publicação do material da DC em terras brasileiras, começou a publicar oficialmente neste mês todos Os Novos 52 em uma ação também inédita por parte da editora no país. É a primeira vez que uma editora brasileira publica todas as revistas que foram lançadas lá fora pela DC.

Serão 7 títulos mensais: Superman, Batman, Lanterna Verde, Universo Dc, Liga da Justiça, A sombra do Batman e Flash, distribuídos em bancas de revistas e comic shops (lojas especializadas nas vendas de Hqs e material relacionado). Outros quatro títulos serão publicados somente em Comic Shops: Novos Titãs e SuperBoy, Esquadrão Suicida e Aves de Rapina, Universo DC Apresenta: Desafiador, Frankestein - Agente da S.O.M.B.R.A. Mas você me pergunta: Como assim cara pálida? Fiz as contas e não deu 52 personagens. E eu respondo: Elementar, meu caro leitor... A publicação de HQ´s no Brasil funciona de uma maneira um pouco diferente do que acontece lá fora, já que são realidades financeiras e sociais um pouco diferentes também. Enquanto lá fora, cada um dos 52 personagens possui a sua respectiva revista, com cerca de 20 e poucas páginas cada, em aventuras mensais, no Brasil adota-se desde os memoráveis tempos da Ebal, Abril e Cia, o sistema de mixes, conjuntos com 3 ou mais revistas em uma só publicação, já que seria financeiramente inviável lançar várias revistas mensais separadamente. Nesse aspecto somos privilegiados (em partes, devido a cultura que temos de acompanhar poucas Hqs, com relação aos norte-americanos, que, apesar da crise, ainda possuem um mercado bem mais amplo de leitores do que o nosso), pois o custo das revistas acaba sendo bem mais barato por aqui. Enquanto uma HQ do Superman, por exemplo, com pouco mais de 20 páginas, lá fora custa $2,99 (aproximadamente 6 reais), aqui no Brasil o Mix com as revistas Superman, Action Comics e SuperGirl, com 84 páginas (as outras edições terão uma quantidade um pouco menor de páginas e serão mais baratas também), sai quase pelo mesmo preço, pouco mais de 6 reais. Segue abaixo a lista completa dos mixes para que os leitores de primeira viagem possam se situar e planejarem quais Hqs irão acompanhar:

BATMAN: Batman (Scott Snyder e Greg Capullo), Batman - The Dark Knight (Paul Jenkins e David Finch), Detective Comics (Tony Daniel).

SUPERMAN: Action Comics (Grant Morrison e Rags Morales), Superman (George Pérez e Jesús Merino), Supergirl (Michael Green, Mike Johnson e Mahmud Asrar)

LANTERNA VERDE: Green Lantern (Geoff Johns e Doug Mahnke), Green Lantern Corps (Peter J. Tomasi e Fernando Passarin), New Guardians (Tony Bedard e Tyler Kirkham)

LIGA DA JUSTIÇA: Justice League (Geoff Johns e Jim Lee), Justice League International (Dan Jurgens e Aaron Lopresti), Captain Atom (JT Krul e Freddie Williams III)

FLASH: Flash (Francis Manapul e Brian Buccellato), Green Arrow (JT Krul e Dan Jurgens), Deathstroke (Kyle Higgins e Joe Bennett)

UNIVERSO DC: Aquaman (Geoff Johns e Ivan Reis), Wonder Woman (Brian Azzarello e Cliff Chiang), Savage Hawkman (Tony Daniel e Philip Tan), Fury of the Firestorm (Ethan Van Sciver, Gail Simone e Yildiray Cinar), Mister Terrific (Eric Wallace e Gianluca Gugliotta), OMAC (Dan Didio e Keith Giffen), Blackhawks (Mike Costa, Graham Nolan e Ken Lashey).

A SOMBRA DO BATMAN: Batman & Robin (Peter Tomasi e Patrick Gleason),  Batwoman (JH Williams e W. Haden Blackman), Batgirl (Gail Simone e Ardian Syaf), Catwoman (Judd Winick e Guillem March),  Red Hood and the Outlaws (Scott Lobdell e Kenneth Rocafort), Batwing (Judd Winick e Ben Oliver), Nightwing (Kyle Higgins e Eddy Barrows).

NOVOS TITÃS & SUPERBOY: Teen Titans (Scott Lobdell e Brett Booth), Superboy (Scott Lobdell e RB Silva).

ESQUADRÃO SUICIDA & AVES DE RAPINA: Suicide Squad (Adam Glass e Federico Dallocchio), Birds of Prey (Duane Swierczynski e Jesús Saiz).

UNIVERSO DC APRESENTA: DESAFIADOR: DCU Presents: Deadman (Paul Jenkins e Bernard Chang).

FRANKENSTEIN, AGENTE DA S.O.M.B.R.A: Frankenstein: Agent of SHADE (Jeff Lemire e Alberto Ponticelli).

Sobre as Revistas:

Até o momento só tive tempo de acompanhar duas revistas (mais devido ao atraso da Panini em entregar as HQs na minha cidade do que devido a falta de tempo em si), Lanterna Verde #01 e Superman #01. Minha primeira impressão é de que a reformulação dos personagens foi um pouco mais profunda do que uma simples mudança no uniforme. Me parece que uma das intenções da DC com essa reformulação foi trazer os personagens para mais próximo do público alvo, situando-os em histórias mais maduras e consistentes, com, inclusive, diversas referências ao mundo real. Os personagens usam redes sociais, celulares ultra-mega-power-modernos e há um forte apelo à questão da globalização deles. Superman, por exemplo, deixou de ser um personagem tipicamente norte-americano para se tornar um defensor do mundo (ao que tudo indica, Zack Snyder, diretor que está trabalhando no novo filme do azulão, vai seguir essa mesma linha para a produção do seu longa).

Nem tudo são flores...

Infelizmente, apesar de estar muito feliz com o lançamento dos novos 52 por aqui (trata-se de uma ótima oportunidade de voltar a acompanhar religiosamente as HQs da DC, coisa que eu não fazia há algum tempo, e que provavelmente farei agora) tenho que atentar para dois pontos deficientes da Panini, não só com relação das revistas da DC, mas com todas as que ela publica: O primeiro deles é com relação aos Mixes. Alguns simplesmente parecem não fazer sentido, sem contar o preço de algumas hqs disponibilizadas para as comic´s, que acabaram com menos páginas e mais caras. O segundo ponto defeituoso diz respeito aos atrasos na entrega. Não sei como funciona o sistema de distribuição da Panini, só sei que não é nem um pouco eficiente. Os títulos dos Novos 52 foram lançados oficialmente nas bancas no dia 1º de Junho. Estamos no dia 9 e até agora somente dois títulos (Superman e Lanterna Verde) chegaram nas bancas da cidade onde moro. Tudo bem que Goiânia não é nenhuma megalópole como São Paulo ou Rio, mas isso também não justifica os atrasos recorrentes da editora. De qualquer forma, espero que, assim como lá fora, Os Novos 52 também façam sucesso e vendam relativamente bem por aqui, para que a Panini ao menos continue a publicar nossas Hqs preferidas com o precinho camarada e a ótima qualidade pela qual eles já se tornaram conhecidos, pontos positivos que, sem sombra de dúvidas, superam os negativos citados anteriormente.

Post relacionado: Uma breve opinião sobre os Novos 52
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