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domingo, 15 de abril de 2012

Eu posso viver sem religião?




Alguém saberia me dizer qual foi a primeira religião? Não que isso seja importante, mas é algo que está em pauta em muitas rodas de conversa sobre o assunto. Aliás, além disso, há o antigo debate sobre qual seria a mais importante das religiões. No final das contas, para variar, as conclusões ficam sempre em um limbo de dúvidas, rancor e autodefesa, pois cada um defende seu lado e o considera melhor e mais importante.
Um dos pontos mais interessantes é que poucos pensam em um fator preponderante para ter sua fé: o lugar, a localização geográfica em que se situa. Explicarei melhor: se você nasceu em plena Índia, em uma região tipicamente hindu, com familiares e um histórico religioso todo voltado para esta crença, então, logicamente, estará muito mais propenso a ser hindu do que outra denominação ou credo. O mesmo vale para um Asiático que cresceu em berço islâmico e, consequentemente, influenciado por todos ao seu redor e, principalmente, pela família, acabará por se tornar um seguidor de Allah.
Crenças à parte, eu fico imaginando o que há de mal nisso. Sim, pois deve ter algo muito ruim em seguir uma crença que não seja aquela massificada em nosso país. É visível que muçulmanos, budistas, judeus, hindus, umbandistas e outros praticantes de uma religião diferente da que aprendemos a aceitar desde pequenos, estão sujeitos a serem vistos com certo desdém. E o que leva um cristão (seja ele católico ou evangélico) a achar que os outros estão errados? 
Inúmeras são as críticas contra os "diferentes". Desde o Deus que rege a fé, passando por cerimônias ou atos religiosos até a simples indumentária são fatores que levam cristãos a temer os infiéis, a colocá-los à margem da sociedade e, principalmente, a buscar - não importa por quais meios - a saída destes indivíduos de suas crenças "erradas". 
Acaso o que foi dito acima lhe lembra um pouco do que ocorreu na invasão espanhola ao nosso continente? Ou será que é muito diferente daquilo que foi feito durante as cruzadas? Bem, em parte é diferente, já que não há a mesma violência física. Entretanto, a violência moral, a exclusão e o desprezo são modos diferentes de ferir e provocar dor nas pessoas.
Críticas surgem com base em qualquer coisa. Há os que dizem ser "pecado" sacrificar animais, fazendo uma clara alusão ao candomblé/umbanda e suas oferendas. Para estes, basta relembrar que muitas religiões eram praticantes de sacrifícios para agradar o Deus ou deuses. Não somos obrigados a praticar e aceitar o que os outros fazem de suas vidas, contudo devemos sempre lembrar que a individualidade é o maior dos tesouros da humanidade. Somos únicos através de nosso comportamento, crenças e realizações. Por que buscar a unificação da humanidade usando a força, o medo ou poder? Pela força, muitos morreram e morrem em nome da fé "correta". Pelo medo (do castigo Divino) muitos abandonam aquilo que originalmente acreditavam e são reformulados. Pelo poder - do dinheiro, da influência ou qualquer outro fator coercitivo - as conversões ocorrem. Promessas são feitas por homens. Homens aceitam tais promessas e, quase inevitavelmente, saem frustrados deste "pacto" selado com Deus (cabe lembrar que a promessa foi intermediada por um homem).
Sejamos sinceros: as principais crenças religiosas têm um papel único que é o de minimizar o poder destrutivo da humanidade. A criatura humana é teimosa, rancorosa, agressiva e extremista por natureza. Partindo do ponto em que acreditamos na existência de Deus, um ser tão elevado que foi capaz de criar tudo que existe e está ciente do passado, presente e futuro, o que há de errado em afirmar que, no todo, as religiões e crenças do mundo são freios que o próprio Criador pôs na Terra para impedir o ímpeto destrutivo humano? Deus é onipresente, onisciente e onipotente. Sua criação é limitada e radical, destrutiva e egoísta e, por isso, precisa de algo que diminua seu potencial destruidor. Esse algo é a religião - ou apenas a fé em alguém que rege pela bondade - com suas doutrinas que limitam o mal. 
Eu não quero ser o dono da verdade ou da razão. Porém quero ser um homem que não estagnou no tempo e no ócio. Pensar é uma das bênçãos que a vida nos trouxe, através de milênios de evolução, e é isso o que faço nesse momento. 
Quando comparamos nosso raciocínio e intelecto ao tentar traçar um paralelo com Deus, menosprezamos muito a inteligência do Criador. Ele conhece tudo o que nos limita e impede nosso progresso e, com base nesse conhecimento, na minha humilde opinião, deu-nos múltiplas opções de continuar a crescer em mente e espírito. Afinal, se uma única vertente religiosa está correta, não seria mais fácil descartar as outras ou talvez inibi-las ou destruí-las?
Seja lá qual for sua conclusão acerca do acima exposto, eu espero que tenha entendido uma coisa: a religião não é uma inutilidade, desde que bem administrada e sem fins excusos. Entretanto, é preciso tolerância e sabedoria para unir todas por uma única causa: a evolução da humanidade. Seríamos infinitamente piores sem uma crença ou a firme fé em um Ser maior, pois os instintos e o poder corrompem.
Então, finalizando, é possível viver sem religião? Sim, desde que haja algo em você suficientemente forte e bom para frear os impulsos maus, tão comuns quando estamos acima de algo ou alguém. 
Ah! Geralmente costumamos nos referir a essa força contrária ao mal pelo singelo nome de DEUS.


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4 comentários:

  1. Hj n sigo nenhuma religião, mas sei, que de certa forma, a religião foi boa pra mim. Moldou conceitos bons =)

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    1. Apenas as extremistas trazem prejuízos. Mas, no geral, elas adotam e passam bons valores.

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  2. Acho que a espiritualidade está acima de qualquer religião, mas não nego que há ensinamentos valiosos. Realmente precisamos de coisas para frear nossos impulsos mais destrutivos, isso não há como negar, seja isto uma religião ou qualquer outra coisa.

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    1. Ótimo comentário, Ed. Não há dúvida do valor da espiritualidade como elemento capaz de nos pôr no eixo.

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