{lang: 'en-US'}

sábado, 7 de abril de 2012

Conto curto: Em momento algum esqueço






Silenciosa, quase sorrateira, ela permanece adormecida, aguardando o momento oportuno de reaparecer.
Seu retorno é, por vezes, amedrontador. Em outras, tem o sabor da felicidade. Porém, em qualquer situação que se faça presente, sempre traz saudades.
Há os que conseguem isolá-la em recantos desconhecidos de si próprios. Há os que são eternamente atormentados por ela.
Eu, não sei o motivo para tal, sou um dos que jamais conseguem adormecê-la. Vivo com todas as informações, sensações e memórias existentes, armazenadas em minha mente e, conseqüentemente, em minha alma.
Não existe qualquer coisa que não saiba; não há dúvida que não possa esclarecer.
Logicamente, como em tudo na vida, pago um alto preço por tudo isso.
Tenho a minha vida dedicada a armazenar informações, acumular conhecimentos e transformá-los em sabedoria, porém nunca poderei adquirir sentimentos, já que minha alma encontra-se aberta apenas ao saber, minha mente é tomada por problemas e soluções.
Tornei-me um ser bendito aos outros e maldito para o meu ego.
Assim, se um dia ambicionar ser igual a mim, lembre-se do que aqui foi dito, pois eu em momento algum esqueço.
←  Anterior Proxima  → Página inicial

0 comentários:

Postar um comentário