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quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Resenha do livro: A Guerra dos Tronos - As Crônicas de Gelo e Fogo: Livro I





Autor: Ednelson Jr.
 
Sinopse: Em uma terra onde o verão pode durar décadas e o inverno toda uma vida, os problemas estão apenas começando. O frio está de volta e, nas florestas ao norte de Winterfell, forças sobrenaturais se espalham por trás da Muralha que protege a região. No centro do conflito estão os Stark do reino de Winterfell, uma família tão áspera quanto às terras que lhe pertencem.
Dos lugares onde o frio é brutal, até os distantes reinos de plenitude e sol, George R. R. Martin narra uma história de lordes e damas, soldados e mercenários, assassinos e bastardos, que se juntam em um tempo de presságios malignos. Entre disputas por reinos, tragédias e traições, vitória e terror, o destino dos Stark, seus aliados e seus inimigos é incerto. Mas cada um está se esforçando para ganhar este conflito mortal: a guerra dos tronos.

“O inverno está chegando...”
As Crônicas de Gelo e Fogo, eis uma saga que antes mesmo de começar a lê-la minha curiosidade acerca dela já era alimentada. Não é para menos, afinal a série da HBO fez com que George R. R. Martin e seus livros fossem um dos grandes assuntos entre as rodas de leitores, seja no ciberespaço ou fora dele. O gosto com que algumas pessoas falam dela é tamanho que você não pode deixar de querer vorazmente devorar, tal como um lobo, essa trama que fascina do início ao fim.
Uma das primeiras coisas que observei ao adquirir este primeiro volume da saga foi seu considerável tamanho, fato que chegou a espantar algumas pessoas para as quais o mostrei, outra foram os “extras” contidos no livro (um mapa de Westeros, região na qual se passa parte da história, e um apêndice que consiste na listagem dos membros das sete grandes casas, famílias nobres, de Westeros e um pouco de suas histórias). A grande quantidade de personagens algumas vezes poderá deixar os leitores um pouco perdidos, mas recorrer à consulta das listas das casas ajuda muito a retomar o fio da meada, todavia a abundância de nomes não torna a leitura um caminho tão tortuoso à ponto de ser uma mazela.
 A amplitude deste cenário é um dos motivos que fez eu me apaixonar com poucas páginas. O tamanho farto do livro, fato com o qual já estou acostumado considerando que sou leitor de Stephen King, em primeira instância me fez deduzir que o detalhismos colossal, algo bastante semelhante à Tolkien, fosse marca registrada na obra de George R. R. Martin igualmente, contudo, apesar dos ambientes serem descritos com maestria, as descrições não chegam à um nível que faz o enredo fluir mais lentamente e talvez causar alguns bocejos. Isso já foi um grande ponto positivo à favor de George, afinal quando um autor decidi explorar demais as minúcias do que pretende narrar deve ter muito cuidado, pois detalhismos demais podem soar como a famosa “encheção de linguiça”, falando no popular.
Outra singularidade em “Guerra dos Tronos” é que apesar de ser classificado como um livro de fantasia, o próprio elemento fantasia é muito subentendido na trama, a sutileza com que é tratado nos faz indagar quais pontos são fatos e quais pontos são somente lendas. O grande mistério fica a cargo dos Outros, uma tribo de selvagens cercados de mistérios que vive para além da muralha ao norte de Westeros na Floresta Assombrada. Alguns contam que Os Outros são criaturas sobrenaturais, mais frias que a própria neve e que jamais podem ser refreadas pelas armas dos homens. A única coisa capaz de derrotar Os Outros, segundo contam os mais velhos, é a magia dos Filhos das Florestas, seres que utilizavam a magia em seu cotidiano de maneira tão natural como bebemos um copo d’água e que habitaram Westeros antes da chegada dos Ândalos, povo que os levou à extinção. Mas vale lembrar que a todo momento somos defrontados com várias versões sobre um mesmo fato e poucas são as respostas sobre o que é verídico nesse emaranhado de palavras, o que nos mantém sempre querendo virar mais e mais páginas e ao terminarmos o primeiro livro querer já partir para o seguinte.
George R. R. Martin
A história fala essencialmente de jogos políticos, logo algumas pessoas mais ávidas por batalhas grandiosas podem ficar um pouco desanimadas com uma grande parte do livro, mas isso não significa que não se encontrará instantes que nos farão ficar com a adrenalina circulando em nosso sangue, os olhos esbugalhados e a mente hipnotizada, assim como amam os fãs de literatura épica.
Como mencionei anteriormente “Guerra dos Tronos” fala essencialmente sobre jogos políticos, portanto os leitores não irão encontrar nessas páginas um mundo maniqueísta, com divisórias claras entre o certo e o errado, o bem e o mal, afinal no jogo dos tronos o que faz todos estes conceitos é a necessidade e a ligação com a sua casa (família). O personagem que mais salienta esta questão é Tyrion Lannister, um anão, chamado de Duende entre os populares e a corte, membro da casa Lannister. Tyrion é o tipo de personagem com diálogos excepcionais e um caráter indefinido, mas que conquista a todos pela sua sagacidade e humor ácido que zomba dos nobres e deste jogo de poder. Tyrion é um personagem em que confiaríamos de boa vontade, caso nossa vida pudesse depender dele, contudo às vezes o encaramos de esguelha e suspeitamos de suas intenções mais intimas. Nesse ponto é que está uma grande diferença entre o estilo de George e Tolkien. Quero tocar neste ponto porque diversas pessoas parecem ter pegado o péssimo hábito de brigar entre quem é melhor: Tolkien ou George? Já vi discussões acaloradas até demais acerca disso, o que acho completamente desnecessário, uma vez que Tolkien e George são mundos totalmente diferentes. Enquanto em Tolkien a aventura, o herói épico, o embate de forças do bem contra entidades maléficas são elementos exaltados a cada página e o detalhismos chega ao extremo da atividade de escrever em George os personagens são mais próximos do palpável em suas imperfeições de caráter, em suas motivações egoísticas, em suas lutas pelo poder. A terra-média é um lugar que apesar de suas zonas sombrias é predominantemente um lugar de luzes, exuberância de vida, afloramento de coisas boas. Já em Westeros e nas demais terras traçadas por George as sombras parecem querer englobar todas as coisas, confiar pode significar a sua cabeça rolando e segredos são protegidos a qualquer custo. Mesmo que para isso seja preciso matar uma criança, por exemplo. Ser cruel é chamado de ser justo. Isso, obviamente, torna alguns personagens extremamente odiáveis! Ao ponto de querermos saltar para dentro das páginas e darmos alguns socos e chutes para aliviar a raiva.
A estrutura do livro em curtos capítulos que alternam entre os personagens/narradores me chamou a atenção. Em um livro tão grande capítulos curtos fazem a leitura avançar a passos de gigante e a variação na perspectiva pela qual visitamos este mundo nos proporciona um leque muito bom a partir do qual somos capazes de formular nossos próprios pensamentos e estabelecer nossos pesos de valores, além de que o sortimento de personalidades tão distintas quanto às cores existentes nos deixa sempre ansiosos por retomar a conversa com aquela pessoa que se desviou de nós alguns capítulos atrás.
Os eventos que ocorrem no primeiro livro são preparações para o palco dos próximos livros. O final confirma ainda mais que nem tudo que se conta sobre as antigas lendas é verdade e deixa uma promessa para os próximos livros. Os perigos nas últimas páginas se anunciam de todas as direções e em meio ao jogo dos tronos e o presságio negro cujo inverno é o arauto nos cabe perguntar: Quando a morte chega de todas as direções o que devemos fazer? Numa terra corrompida pelo que lutamos? Eis alguns dos questionamentos suscitados por essa crônica composta de tipos humanos de índole verdadeiramente nobre à homens e mulheres que mais parecem ratos e animais carniceiros com um manto bonito que esconde suas verdadeiras faces.
Não considero e nem pretendo executar a titânica tarefa de mostrar todo o esplendor do livro em minha resenha, algumas coisas são tão grandiosas que não há como repassar a experiência que tivemos em palavras frias escritas, acho que nem mesmo com nossas vozes podemos expressar algumas coisas de uma ponta à outra, mas espero sinceramente que vocês possam ter o mesmo prazer que tive ao dar meus primeiros passos na obra de George R. R. Martin. Desejo-lhes uma excelente leitura e agradeço antecipadamente pelos comentários. A maior recompensa para quem escreve uma resenha é despertar o desejo de conhecer de pelo menos um leitor . Outra observação, possivelmente alguns de vocês podem estar se pensando: Mas ele nem falou direito dos personagens. Eu fiz isso porque estou tentando desenvolver sempre resenhas que falem mais das qualidades do texto, recursos da narração, atmosfera da história do que dos personagens em si, pois se sair falando sobre os personagens de um jeito ou outro acabarei dizendo alguns spoilers. Abraços!
Informações técnicas:

Editora: Leya
Autor: George R. R. Martin
Origem: Americana
Ano: 2010
Edição: 1
Número de páginas: 592
Acabamento: Brochura 
Formato: Médio
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7 comentários:

  1. Ed, mto boa sua resenha! Não li o livro ainda, mas vi a série que é tb mto boa. Vc conseguiu extrair a essência do livro sem entrar mto nos personagens. É um livro mto complexo e falar sobre cada família seria desgastante, o melhor é ler e amá-las e odiá-las. Parabéns!

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    1. Ah, só uma coisa, pq está como origem Nacional?

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  2. A complexidade deste primeiro livro de George R.R. Martin é surpreendente. As intrigas, jogos políticos, traições e as personalidades atribuídas a cada personagens dão força à trama, dando ao leitor o incentivo para prosseguir na leitura.
    Quanto à origem, creio que houve um equívoco, mas corrijo assim que o Ed confirmar.

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  3. Olha eu precisava ler uma resenha pra captar melhor alguns pontos e a sua foi primordial. Eu até já assisti alguns capítulos da série, mas não fui até o fim pra não tirar a graça da leitura. E justamente por ser um livro extenso, tive medo de ter detalhes em excesso e eu acabar abandonando o livro. Mas agora definitivamente posso comprar, e investir numa longa viagem,porque pelo que estive lendo sobre a saga serão ao todo 7 volumes.

    http://leiturasdepaty.blogspot.com/

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    1. Realmente a resenha é esclarecedora sem apelar para spoilers, Paty. O Ed sabe como trabalhar nesta área e sua ajuda está incentivando muitos leitores. Obrigado pelo commment.
      Franz.

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  4. Este comentário foi removido pelo autor.

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  5. Muito bom o texto! Eu amo a literatura George R. R. Martin! ❤️ Ninguém pode negar definitivamente o sucesso do Game of Thrones. Estou surpreso toda a produção por trás da série. No começo eu não estava convencido de que ela, mas como a história progrediu, eu realmente se tornou um fã. Eu acho que todo o elenco tem feito um grande trabalho, é uma das minhas séries favoritas, tem uma grande história!

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