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sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

O Hobbit: o livro, a animação, a HQ e o que poderá vir com o filme.




Autor: Franz Lima

“Em uma toca no solo, vivia um hobbit.”

O hobbit é um livro fantástico, ainda que simples quando comparado à trilogia “O Senhor dos Anéis”. Ainda assim, toda a magia do universo criado por Tolkien está visível. Orcs, Wargs, Anões, Hobbits, Magos, Elfos e outras criaturas inimagináveis, fruto da criatividade e das leituras de J.R.R. Tolkien estão presentes na trama.
Li o livro, um exercício para a imaginação só superado em se tratando de Tolkien, por “O Silmarillion” e “O Senhor dos Anéis”. Contudo, sempre quis ver as criaturas mágicas passadas para a película ou uma HQ.
Não demorou, tive o acesso à animação baseada no livro. Simples, ela acabou sendo uma prévia, ou melhor, uma amostra do potencial da obra. Ainda assim, o tom infantil e a simplória tecnologia da época tornaram o desenho animado algo muito aquém daquilo que qualquer fã esperava.
Vejam: mesmo com tudo o que disse acima, a animação foi ovacionada pela iniciativa e pioneirismo. Simples ou não, boa ou ruim, foi o início de algo que culminará em nossa época.
Então, em 2003, uma ótima novidade trouxe esperança quando, em uma livraria, vi a adaptação para os quadrinhos – a única autorizada com base em um livro de Tolkien – de “O hobbit”.
Ilustrações lindas, cores fantásticas e, principalmente, uma nova visão das aventuras de Bilbo Bolseiro, Gandalf e os treze anões. A quadrinização ilustrada por David Wenzel e adaptada por Charles Dixon é de uma beleza estonteante. A caracterização das personagens mantém a força da imaginação e, certamente, foi um dos pontos de apoio para Peter Jackson em seus filmes, mas não foi seguida à risca, fato que abordarei mais à frente.
Contudo, mesmo com tanto zelo ao adaptarem um clássico da literatura, não posso deixar de citar os pontos que, a meu ver, trouxeram alguns prejuízos à HQ.
Essa edição foi lançada pela Devir e tenho comigo a 1ª reimpressão de 2003. Tecnicamente, o acabamento é impecável, o papel é de altíssima qualidade e com excelente gramatura. A leitura é fácil e agradável, muito por causa da letreirização.
Os desenhos, em sua maioria, são outro ponto forte, mas, apesar das ilustrações magníficas, há algo que muito me incomodou: a similaridade entre as personagens. Até o fim da história, apenas consegui memorizar dois anões por suas características ou indumentárias. As faces são praticamente idênticas, confundindo-se, por vezes, com o próprio Gandalf.
Quanto aos elfos, a caracterização deles também ficou estranha. Como reli a história recentemente, atribuo um pouco desse incômodo à associação com o visual deles nos filmes sobre o “Um Anel”.
Mas há outras personagens muito bem representadas pelo desenhista. Entre elas, cito Beorn, os Trolls e Gollum.
Os textos estão coerentes, bem escritos – lembrem-se que é uma adaptação – e são fundamentais para o entendimento do leitor, contrariando a tendência de muitas revistas que tem pouco texto, motivadas pela crença de que apenas o visual é suficiente.
Um ponto que incomodou foi a separação errada de palavras e alguns erros de grafia. Reforço que foram pequenos erros, incapazes de estragar a história e a produção da história em quadrinhos.
De qualquer modo, esta única adaptação oficial para os quadrinhos de um livro de Tolkien vale por si só. É uma obra de ótima qualidade visual, com textos que respeitam o conteúdo original do livro e um acabamento primoroso que não perde o brilho por causa das pequenas falhas na edição.
É uma HQ que recomendo, mas gostaria de ver uma nova edição* com as devidas correções, capa dura e alguns extras, onde pudéssemos ver os bastidores da produção, o que seria uma grande demonstração de apreço pelo público e especialmente pelos fãs da obra original.
Enfim, depois de tantas observações, resta agora uma última nota sobre o filme que logo estreará, produzido e dirigido por Peter Jackson, o mesmo diretor da trilogia do Anel.
Este filme é o mais recente empreendimento cinematográfico que usa um livro de Tolkien. Alguns ainda se mostram reticentes mesmo após o sucesso de “O Senhor dos Anéis” e a divulgação do trailer e fotos com as caracterizações dos anões.
Pois eu digo: fiquem tranqüilos. Por quê? É simples...
Primeiramente, temos filmes feitos com a mesma equipe base que conquistou 11 Oscar e, certamente, conquistou a maioria dos fãs de J.R.R. Tolkien. Lacunas e pequenos erros existiram. Licenças poéticas também. Contudo, é impossível transpor o conteúdo de três livros complexos, onde pelo menos duas línguas diferentes são usadas, ambientado em uma realidade alternativa e repleto de personagens grandiosos sem que algo fique para trás.
Gostem ou não, é inadmissível não reconhecer a competência e o esforço do diretor e do estúdio, sem falar do elenco, para trazer a nós a melhor obra já feita – e dificilmente será igualada – embasada no mais conhecido e amado livro de John Tolkien.
Em segundo lugar, após ver a animação e ler a HQ, apurei que Jackson acertou novamente na caracterização das personagens. Os treze anões devem ser visualmente diferentes, mesmo com a descrição de Tolkien no livro, pois, do contrário, a confusão existente na animação e nos quadrinhos ocorreria outra vez. Mas não ocorrerá, já que eles estão muito diferentes entre si – e haja críticas dos fãs – o que irá nos proporcionar a oportunidade de reconhecê-los e acompanhar aqueles que cada um admira mais. Outro fator importante é a valorização da personalidade de cada um deles, diferenciando-os e valorizando suas particularidades.
Anões, elfos, homens, orcs e todas as criaturas criadas pela mente do autor precisam ser reconhecidas prontamente, evitando-se atrapalhar a compreensão da trama, e Peter Jackson fez isso de forma fantástica, dando individualidade ao grupo de anões.
Por fim, esperançoso com o que virá e saudoso pelo que já foi produzido, espero que tenham gostado desses apontamentos. Cada adaptação de “O hobbit” é uma vitória para os que lutam em prol do prolongamento e da divulgação do legado do mestre da fantasia J.R.R.Tolkien. A versão animada e a quadrinização eram o melhor em suas épocas e serviram para perpetuar e incentivar a busca pela leitura dos livros de Tolkien. Com este novo filme, certamente, muitas outras pessoas que desconheciam este universo terão uma oportunidade de iniciar uma busca sem retorno, pois quem conhece esta realidade alternativa, ainda que minimamente, sempre terá uma toca quente e confortável para retornar... 

* Uma nova edição de "O hobbit" em quadrinhos foi lançada e, aparentemente, os erros de revisão foram corrigidos. 

Mais imagens da HQ ilustrada por David Wenzel :


 Muitos dos desenhos feitos por David Wenzel estão à venda em seu site. DavidWenzel.com





Informações sobre a animação:
ORIGINAL: The Hobbit (1977)
BASEADO EM UM LIVRO DE: J. R. R. Tolkien
DIRETORES: Arthur Rankin Jr., Jules Bass
ROTEIRISTA: Romeo Muller
TRILHA SONORA: Maury Laws 
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8 comentários:

  1. Bom, sou suspeito para falar de "O Hobbit". É um dos meus livros prediletos. Fiquei interessado na HQ, mas é fácil de se encontrar?
    Mais um ótimo texto do Apogeu do Abismo, parabéns Franz! Um grande abraço!

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  2. Robson, a HQ estava esgota, mas encontrei um exemplar na livraria Eldora, uma reedição que, como citei, parece ter sido revisada corretamente. Espero que encontre...
    Obrigado pelo elogio.
    Franz.

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  3. O Hobbit é maravilhoso! Legal saber das HQ's, não conhecia. Estou mtoo ansiosa pelo filme *---*

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  4. Poxa, essa HQ amaria ter! :D Realmente cada mídia tem uma linguagem especifica, logo não há transitar entre uma e outra sem mudar algumas coisas, claro que isto não diminui o merecimento de uma obra. Confio que o filme será fantástico!

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  5. Seu texto ficou muito bom cara, parabéns! Eu gostei muito dos atores usados, tá demais, tô muito ansioso para a estreia! O Hobbit é demais...

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    1. Obrigado pelo comentário e o elogio. Também tenho grandes expectativas em relação ao filme, principalmente depois da leitura do livro e a HQ.

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