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segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Before Watchmen: indústria reage à nova HQ




Fonte: Multiverso DC

Já era de se esperar que os profissionais dos quadrinhos dessem opiniões sobre a confirmação de Watchmen 2, ou Before Watchmen como é chamada a linha de oito séries que contará o que acontece antes da obra seminal de Alan Moore Dave Gibbons. A grande maioria preferiu opinar diretamente no Twitter com  mensagens de apoio ou condenação.

O lado da Marvel, curiosamente, foi um dos que mais se pronunciou. Não se sabe se a DC pediu que os profissionais contratados (freelancers ou exclusivos) pediu que evitassem opiniões, mas é muito possível devido ao silêncio do lado da editora nos debates abertos. Como se sabe Watchmen envolve muita paixão da parte dos fãs (e dos profissionais, que não deixam de ser fãs também), portanto qualquer comentário vindo de um profissional da DC poderia colocar tudo a perder.
Seja como for, o Newarama preferiu procurar alguns nomes conhecidos para obter opiniões mais ponderadas. A pergunta feita a eles foi: “Os criadores de Watchmen deixaram claro acreditar que sua história estava completa, ainda que ela tenha vendido tanto durante os anos que foi capaz de criar um grande mercado em torno de si. Como você se sente com esta decisão de, 25 anos depois, criar prólogos para Watchmen?
Confiram as respostas de cada um dos pesquisados.
Gerry Conway (aclamado veterano dos quadrinhos)
De um ponto de vista estético, acho que é uma decisão de fraqueza. Mas me lembro de uma conversa que tive com o finado John Verpoorten (editor e gerente da Marvel durante sua expansão nos anos 1960) há 40 anos atrás quando eu era só um jovem que se achava o mais importante de todos. Ele estava me pressionando para entregar meu roteiro no prazo e eu soltei pra ele que os negócios estavam sendo colocados acima dos princípios estéticos. John riu e disse algo que nunca saiu da minha cabeça: “Se vamos falar de estética, Gerry, podemos justificar publicar uma ou duas revistas por mês… no máximo. Vê se cresce, pirralho“. Sábias palavras.
Eric Stephenson (publisher da Image Comics)
Todo mundo sabia que isso ia acontecer, o que não faz a notícia ser menos desprezível. São sim pessoas muito talentosas envolvidas: Darwyn Cooke é um dos meus narradores favoritos de todos os tempos; Amanda Conner, Adam Hughes e J.G. Jones são artistas que admiro há anos; Brian Azzarello é um escritor maravilhoso e 100 Balas é um clássico genuíno. Len Wein? O cara cocriou Monstro do Pântano e muitos dos X-Men que todos vieram a adorar (Wolverine, Tempestade, Colossus e Noturno).
Eu gostaria muito de ver esse pessoal todo fazendo algo novo do que engajando nesse safadeza da DC Comics. Ou como Leah Moore, filha de Alan Moore, colocou no Twitter: “Por que não NOVAS graphic novels dos criadores de Before Watchmen, ou melhor, de novos talentos? Usem o orçamento disso para criarem o ‘próximo’ Watchmen”.
Alan Moore sempre foi um cara de princípios. Certas pessoas gostam de apontá-lo como um maluco, que ele não sabe mais o que faz, que ele é um idiota – mas a verdade ele é o cara que segue os princípios nos quais acredita. Independente de você aceitar ou não a posição dele, deve-se admitir sua integridade. Seria muito fácil pra ele aceitar o convite da DC/Warner Bros e embolsar a grana.
No fim das contas é tudo mais do mesmo. É isso que eles fazem. Tenho certeza que será uma bela fanfiction.
Chuck Dixon (um dos mais importantes escritores de super-heróis dos anos 1990)
Do ponto de vista dos negócios o projeto faz total sentido para os executivos. O Watchmen original foi reimpresso, ganhou filme, bonequinhos e tudo mais, portanto a única forma de “agregar valor” à franquia é produzir material novo pra ela.
Do ponto de vista criativo a ideia está morta antes de ser publicadade. A longo prazo eles deveriam usar estes esforços para criarem novas propriedades. Mas na atmosfera de infinitos reboots, remakes, prólogos e sequências é isto que podemos esperar dos conglomerados do entretenimento.
Jamal Igle (artista da indústria americana, mais conhecido por Supergirl e Asa Noturna)
Bom, a DC vai fazer o que quiser. Ela é uma empresa e seu trabalho é explorar uma propriedade até sugar a última gota. Tenho certeza que será bom, levando-se em conta os talentos envolvidos; sei que será um material legível. Mas acho que é uma boa ideia? Com certeza não.
Um dos problemas que tenho com o jeito que as coisas são neste meio de negócios é que as histórias nunca são finitas. Acredito que Watchmen é uma peça singular, tendo começo, meio e fim, e sua história já foi contada. Eu não clamava pelas aventuras de Rorschach, nem pelo que aconteceu com a Espectral depois que ela abandonou o uniforme. Tudo que preciso saber sobre Laurie Juspeczyk está nas 12 edições de Watchmen.
Tendo dito isto, não lerei o material. Não tenho interesse nisso.
David Hine (escritor inglês de super-heróis e quadrinhos autorais)
Não tenho interesse em sequências, prólogos ou qualquer coisa relacionada a Watchmen. Porém, não dá pra negar que os talentos envolvidos são pesos-pesados, e eu não sei se vou conseguir resistir à minissérie Minutemen de Darwyn Cooke.
No fundo a coisa toda tem um ar de inevitabilidade. Há muito dinheiro envolvido para a DC não fazê-lo. O lucro é o que mais importa para uma editora mainstream. Acho que os criadores agora têm oportunidades (o que não havia nos anos 1980) de levarem suas ideias para diversas editoras que deixam o autor ter controle sobre sua obra, e é isso que Alan Moore faz hoje em dia. Acho que seu comentário sobre Moby Dick [Nota: Moore, em tom de sarcasmo, disse que Moby Dick nunca teve prólogos ou sequências] é uma reflexão sobre as mudanças de valores nos tempos modernos. Se Herman Melville estivesse vivo eu não ficaria surpreso se ele aparecesse com um Moby Dick – Antes de Ahab.
Peter David (um dos mais famosos e prolíferos veteranos esritores da indústria, ainda ativo)
Quando se fala de “criadores”, acredito que a maioria refere-se apenas a Alan Moore. O comentário de David Gibbons sobre a coisa toda, acredito, expressa uma ideia positiva sobre o trabalho como um tributo, uma homenagem, especialmente quando se considera que Watchmen começou sua vida criativa como uma atualização de personagens da Charlton; se tivesse sido com eles de verdade, então Moore não teria nada a dizer sobre propriedade, independente de seus “draconianos” contratos.
Acho que Moore está em terreno delicado ao dizer que a DC está simplesmente dependendo de ideias dele de 25 anos atrás, implicando que há uma espécie de falência criativa. Sim, Moore – quem nunca tive a honra de conhecer pessoalmente – está correta ao dizer que não há sequência para Moby Dick. Mas a posição de Moore é engraçada se considerarmos que ele pegou personagens de Júlio Verne e Bram Stoker e transformou todos em super-heróis; ele acabou pegando amados personagens literátios e transformou-os em obetos eróticos [Nota: PAD refere-se a Lost Girls]. O fato de haver domínio público nestes personagens faz com que não precise haver protestos contra essas ideias? Considerando sua comparação com Moby Dick, aparentemente ele acha que não. Só por que uma corporação teve a ideia, ao invés de um único indivíduo, faz com que a ideia seja inferir? É um argumento ruim, considerando o fato de que a corporação quer usar uma propriedade que está em suas mãos.
O fato de Moore ser tão veementemente contra outros autores pegando seus personagens – os quais são nada mais que pastiches dos criadores da Charlton Comics – diz o quanto L. Frank Braum reagiria ao ver o que Moore fez com Dorothy. E se esse for o caso, as pessoas que protestaram contra este projeto do Watchmen devem reconsiderar as razões de sua ira.
Pra mim, o anúncio da DC simplesmente significa que o trabalho de Alan Moore alcançou o status de “icônico”, tanto quanto Superman e o Monstro do Pântano – personagens com os quais o próprio Moore nos presenteou com alguas das melhores histórias já contadas. Vamos tocer para que o trabalho destas pessoas alcance – ou até supere – o que Moore alcançou.
Kurt Busiek (escritor de quadrinhos, mais conhecido por Marvels e Astro City)
Certamente entendo por que a DC quis fazer isso. Não é uma escolha que eu faria, mas essa é só mais uma das razões pelas quais eu não dirijo uma empresa de quadrinhos. Como estão me perguntando isso antes do anúncio oficial, então não sei quem estará em cada série, só posso desejar boa sorte para cada um dos envolvidos. Se fizerem boas histórias, são bons quadrinhos, mesmo que não tenham coisas que eu goste tanto.
No fim das contas Watchmen é o que é e nada vai mudá-la. Portanto, se as pessoas gostam despinoffs, ótimo, e se não gostam da ideia, continuem com o original. Da minha parte certamente tentaria criar outras coisas para tentar um impacto como esse, mas como disse é só mais uma das razões para eu não estar neste tipo de trabalho.
Terry Moore (criador e escritor de Estranhos no Paraíso)
“Eu não quero dinheiro”, disse Alan. “O que quero é que isso não aconteça”. Isso diz tudo.

Muitos outros profissionais se manifestaram... alguns a favor e outros contra, mas todos estão embasados apenas por aquilo que ouviram sobre a nova obra. A verdade, dentro do meu entendimento, é que  apenas o tempo  - e os fãs - poderão decretar se esta "sequência" será um novo Cavaleiro das Trevas 2 ou um sucesso. Resta-nos aguardar e torcer.

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Um comentário:

  1. Poxa, acho que essas HQs vão bombar, mas no sentido negativo.

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