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quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Nightbreed - Raça das Trevas: a farsa editorial mostrada





Caros leitores.
Não sei quantos de vocês conhecem as obras literárias de Clive Barker (Hellraiser, Nightbreed, Livros de Sangue, Abarat etc). Os livros que Clive lançou foram comparados aos trabalhos de Stephen King e, inclusive, elogiados pelo próprio. Algumas destas publicações são muito difíceis de encontrar hoje em dia, bastando citar como exemplo os seis volumes da coleção "Livros de Sangue" que, infelizmente, acabaram se tornando raridade até mesmo em sebos ou lojas especializadas.
Algumas de suas produções foram transpostas para o cinema e foram responsáveis pelo surgimento de verdadeiros ícones do terror. Pinhead, os cenobitas, os habitantes de Midian são, enfim, apenas uns poucos exemplos sobre este incrível escritor.
Barker também investiu na literatura infanto-juvenil (Abarat) e até nos quadrinhos, obtendo grande sucesso e prestígio em várias mídias de comunicação. Nos quadrinhos, sua principal produção foi "Nightbreed". Lançada por aqui como uma minissérie de 10 edições, a série relatava a vida de humanos envolvidos com criaturas fantásticas, habitantes de um lugar conhecido como Midian, a terra onde moram os monstros.
Alguns dos monstros em um cinema.
Apesar da trama aparentemente simples, os personagens foram bem construídos. Há uma explicação, algo como uma justificativa, para cada um deles. Suas aparências podem causar desconforto a quem deles se aproxime, mas isso não os torna menos humanos (a maioria já foi igual a nós). Entender o que os fez se tornarem monstros é uma grande idéia presente nesta minissérie, porém apontar monstruosidades e comportamentos absolutamente terríveis em pessoas "normais" é o auge do enredo.
Boone é um cara com problemas. Sua vida não o agrada e muita coisa dá errado. Pesadelos o atormentam e lhe indicam que há um lugar para diminuir esta agonia: Midian, a cidade dos monstros. Obcecado por descobrir o que há neste lugar (a localidade chamada Midian não existe apenas em seus sonhos), Boone une-se a Narcisse, um sociopata que usa lâminas nos polegares, e os dois saem em busca da terra prometida.
Um fato interessante é que Boone acredita ser o responsável por assassinatos recentes no lugar em que mora e, por isso, resolve partir, após ouvir seu analista, para um lugar onde há seres iguais a ele.
Enfim, Boone e Narcisse encontram Midian. O lugar é mais aterrador do que esperavam e eles são recebidos de forma bem diferente da que esperavam. Envolto em um covil de predadores, Boone não consegue convencê-los de que é um matador e, então, inicia-se a saga para que se descubra realmente quem ele é, sua essência e o destino que o aguarda.
No decorrer da história, muitas outras coisas ocorrem, leis são quebradas e Midian sofre as consequências de aceitar um ser humano comum em suas terras sagradas. O caos é instalado e, com ele, uma guerra entre os que veem em Boone uma pessoa capaz de restaurar a "ordem" e outros que o enxergam como um agente a serviço do fim de toda uma era de prosperidade aos habitantes de Midian.
A minissérie foi publicada em 1990 em 10 edições. Eu adquiri a série completa, mas, recentemente, tive o desprazer de descobrir que a Editora Abril não publicou na íntegra a minissérie. Raça das Trevas - versão original - é composta por 25 edições, contrariando o que acreditei ser a verdade por mais de duas décadas.
Não vou pesquisar para descobrir os motivos que levaram os editores da época a fazer isso. O descaso é evidente com o leitor brasileiro, com o colecionador, que mostra fidelidade ao adquirir todas as edições e, baseado nas informações da capa e das propagandas da época, pensa estar recebendo um material na íntegra.
Agora imaginem qual seria a decepção de vocês se, ao entrar em um cinema para ver um filme, descobrissem que o filme tão esperado teve inúmeras cenas cortadas? Ou, ainda, como reagiriam ao comprar um livro de 200 páginas e, tempos depois, descobrirem que o original de quase 900 páginas?
Eu poderia me manter em silêncio e esquecer isso, porém não é aceitável que uma empresa do porte da Abril faça uso de manipulação de informações para vender algo parcialmente como se fosse a versão integral.
Infelizmente constatei que a pressa em ganhar dinheiro sobre a fama de Clive Barker na época, foi maior do que o respeito merecido pelo leitor fiel.
Para comprovar esta desconfortável constatação, eis as 25 capas da edição original. Lembrem-se que, aqui no Brasil, apenas as 10 primeiras foram publicadas (que, apesar de tudo, são excelentes).

Edição #1


Edição #2























Edição #4
Edição #3






















Edição #5
Edição #6























Edição #7
Edição #8
























Edição #10
Edição #9
























Estas foram as dez edições lançadas no Brasil pela editora Abril. As demais edições não existem aqui, tendo sido publicadas apenas nos Estados Unidos. Espero que um dia a Panini ou outra editora resolva publicar isto em um encadernado ou algo similar, pois nós, leitores e fãs do trabalho de Clive Barker, merecemos. Confiram suas capas:
Edição #11
Edição #12
























Edição #13
Edição #14






















Edição #15
Edição #16























Edição #17
Edição #18



Edição #19
Edição #20























Edição #21
Edição #22
























Edição #23

Edição #24























A 25ª edição





A verdade é que até a edição 10 um arco de histórias é fechado. Talvez, com base nisso, a editora da época tenha preferido não publicar as edições restantes que só teriam seu fim no ano de 1992. As edições originais foram publicadas entre maio de 1990 e abril de 1992. Contudo, muitas lacunas permanecem na série e não é possível imaginar o que poderia decorrer. Falta de planejamentou ou falta de respeito pelo leitor dependerá de como você olhará para essa situação, mas é bom lembrar que essa não foi a primeira e certamente não será a última vez que temos os direitos como leitores, espectadores ou ouvintes desprezados ou negados, restando-nos migalhas da arte oriunda de outros países.
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7 comentários:

  1. Eu conheci Clive Barker por meio do mesmo amigo que me apresentou Stephen King e esse meu amigo tem os seis volumes do Livros de Sangue e outros esgotados desse autor. Realmente é triste que no Brasil os leitores ainda sejam tratados como quase nada por algumas editoras. Eu já li o livro que inspirou os quadrinhos e é super legal. Recomendo. Essa história tem até um filme.

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  2. Ah, Franz, não foi apenas essa série que a Abril deixou incompleta... acredito que ela abanou 60% dos quadrinhos que colocou as mãos, entre mangas e HQs....

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  3. Ed, Clive Barker ainda é um dos meus autores preferidos dentro do terror, ainda que seu estilo seja muito diferente do que usa Stephen King. Claro, isso não diminui em nada seu brilhantismo ao escrever.
    Raça das Trevas é uma ótima história, bem trabalhada e que merecia um pouco mais de consideração por parte da editora que publicou a HQ. Mas, como disse a Samila, esta não foi a última vez que a Abril pisou na bola com seus leitores... infelizmente.

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  4. Estou lendo Desfiladeiro do Medo, o primeiro livro de Barker que leio e já vejo que ele é mto bom no que faz. Realmente é um desrespeito com o leitor, publicar algo pela metade, nos fazendo acreditar que aquilo ali é tudo que existe.

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  5. O desrespeito não está apenas em não publicar na íntegra, mas, principalmente, em não informar por longos anos seus leitores.
    Quanto aos livro de Clive, li muitos deles e, até agora, não me decepcionei. Boa leitura...

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  6. Eu já li mais duas edições nacionais, a 11 (O Nascimento Daqueles que Foram) e a 12 (As Mascaras de Deus)... porém ao final dessa ultima, diz "continua"(Rawhead Rex) mas não encontrei mais nenhuma...

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    1. Eu busquei muito por informações sobre as edições nacionais. Honestamente, não vi em nenhum lugar as revistas 11 e 12, mas não é impossível. Sei que há versões em pdf da coleção completa que também são difíceis de encontrar.
      A verdade é que a Editora pisou na bola e desrespeitou o leitor.

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