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terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Apresento-lhes Cyril Pedrosa e a HQ "Três Sombras"




Fonte: Companhia das Letras

O que você lerá abaixo é um "depoimento" de Cyril Pedrosa à Companhia das Letras. Para os que não o conhecem ainda, eis uma breve explicação sobre quem é o desenhista: 

Cyril Pedrosa começou sua carreira na animação, trabalhando nos filmes de Disney "Corcunda de Notre Dame" e "Hercules". Ele se tornou uma estrela em ascensão um novo tipo de narrativa gráfica, combinando as influências da animação e as tradições literárias de Borges, Marquez Garcia, e Tolkien para criar um visual único de escrita.

Disse Cyril:
Até onde consigo me lembrar, eu sempre quis fazer histórias em quadrinhos.
Entre as boas e más razões que me fizeram desistir de ser presidente da república, rockstar ou cirurgião-dentista, o poder mágico do desenho assume o topo da lista, sem hesitação. A descoberta, a partir da infância, do prazer que há, com um lápis e um papel, em mergulharmos no interior de nós mesmos, até desaparecermos lentamente, marcou minha vida para sempre.
Desenhamos, e abracadabra, desaparecemos.
É exatamente disso que se trata.
Aquele que desenha não pensa mais. Ele esquece de si mesmo e se incorpora, corpo e espírito, na ponta de seu lápis, ao contato do papel.
Seu cérebro, a mão que desenha, o braço que se move, a cadeira sobre a qual ele fica sentado oito horas por dia, a casa que o cerca, o mundo inteiro, os medos, as dúvidas, as alegrias, tudo isso desaparece para renascer por encantamento, e sob uma outra forma, nos traços que surgem na folha de papel. Assim, que tenha 6, 39 ou 84 anos, o desenhista viaja. Ele entra primeiro no interior de si mesmo, para então sair novamente, projetando-se por inteiro na imagem que produz.
Muitos anos mais tarde, certamente ainda não satisfeito com essas viagens mágicas de desenhista, fui para um pouco mais longe, para o lado da minha imaginação, dos meus desejos, dos meus sentimentos. No início, eu seguia com prudência os caminhos familiares e, depois, pouco a pouco, tentei me afastar deles a fim de encontrar alguma outra coisa, que valesse a pena compartilhar com os outros. Esses objetos, preciosos ou banais, acabaram se juntando e se transformando em “histórias”, depois em livros. Os “outros”, abracadabra, viraram leitores, e eu, abracadabra, “autor de histórias em quadrinhos”.
Outros anos se passaram. Continuo com minhas viagens interiores, mas, como em um passe de mágica, alguns de meus livros acabaram por me carregar com eles. Tive a sorte incrível de que Três sombras atravessasse fronteiras, sendo traduzido e lido em vários países, me abrindo as portas para belos encontros e inesperadas aventuras… Pela primeira vez na minha vida, graças a esse livro, eu vou sobrevoar o Atlântico essa noite e chegar amanhã de manhã em São Paulo. Não consigo acreditar que os livros tenham um poder assim, de mobilizar os homens, de provocar encontros, de mudar vidas. Parece, no entanto, que é isso.
— Cyril Pedrosa
Sábado, 5 de novembro de 2011
[Tradução de Carol Bensimon]

Agora, para complementar, uma resenha do site Impulso HQ sobre Três Sombras...


Um dos primeiros textos poéticos da literatura mundial foi a epopéia de Gilgamesh, que fala da perda de um amigo e a jornada do herói em busca de respostas para essa perda. Para quem achou que tal sentimento nunca seria transmitido em uma HQ, realmente tem a obrigação de ler Três Sombras.
No álbum em história em quadrinhos, lançado pela Cia das Letras pelo selo Quadrinhos na Cia, o autor Cyril Pedrosa nos apresenta a vida do pequeno Joachim que mora em um bosque tranquilo com seus pais Louis e Lise.
O que poderia ser um típico conto infantil se transforma em uma profunda história de amor e perda, quando a trama se desenvolve com a aparição de três figuras ameaçadoras no horizonte, e tudo indica que vida perfeita da família irá se desfazer.


Em uma narrativa ágil, que parece com um storyboard de um desenho animado não realizado, o autor concentra o foco da ação em Louis, que para não perder o filho empreende uma longa viagem por terra e pelo mar, enfrentando tudo e de todos.
Pedrosa sabe narrar e sua experiência em animação nos estúdios Disney, em longas-metragens como Tarzan e o Corcunda de Notre-Dame, está impresso no álbum com traços simples e delicados.
É uma leitura rápida. Li o álbum em um dia, em um volta para casa depois do trabalho, e é um prazer ver e ler o trabalho de Cyril Pedrosa, e sentir que algumas cenas parecem ser tiradas de um sonho ou pesadelo.


Toda a história começa e termina na primavera. Cyril demonstra uma sensibilidade incrível ao usar as estações do ano como metáfora. Não é a toa que essa fábula foi premiada no Festival de Angoulême, na França.
Todos nós passamos ou vamos passar pelas mesmas situações enfocadas na HQ e como eles, teremos que fazer as nossas escolhas. E isso nos deixa a pergunta:
Três Sombras é uma HQ para crianças? Adultos? Infanto-juvenil?
A única resposta que tenho é bah! É um álbum para quem gosta de quadrinhos com boas histórias e ilustradas com maestria. É um novo clássico!

Três Sombras
Autor: Cyril Pedrosa
Quadrinhos na Cia
Tradução: Carol Bensimon
15,8 x 21,5 cm
272 páginas
R$ 39,50
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3 comentários:

  1. "Corcunda de Notre Dame" e "Hercules" eram desenhos show de bola! Lembro que assistia ambos quando era mais novo e pensar que essa mesma pessoa gosta de Tolkien...demais! Essa critica me deixou muito curioso pelo enredo e já por ela dá vontade de ler essa HQ. :)

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  2. Poxa, Corcunda de Notre Dame, Hercules, Tarzan... só desenhos maravilhosos! Fico muito curiosa para ler essa HQ

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  3. Vou fazer uma pesquisa para achar o menor preço de venda da HQ. Também gostei das informações dos trabalhos anteriores dele e, inicialmente, gostei muito das ilustrações e dos traços de seus desenhos.
    Mais uma garimpada produtiva rsrsrsrs.
    Amigos, obrigado pelos comentários...

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