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segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Até onde é válido ilustrar um livro?




Ultimamente tenho lido muitos livros infantis. O motivo? Meus dois filhos que, influenciados por mim, estão adquirindo o hábito da leitura. Mas as obras infantis são muito diferentes das voltadas ao público adulto. Um livro para crianças é leve - não é regra - e ilustrado para acrescentar o visual à imaginação dos pequeninos. Acreditem, este é um recurso válido. Por meio das imagens (algumas primorosas e artisticamente perfeitas) há uma maior fixação da história na mente infantil. Na verdade eu concluo que elas ajudam até mesmo o adulto a fixar melhor um conto, poema ou romance.
Entretanto, talvez por preconceito ou apenas por uma vontade em deixar o livro mais "sério", não temos mais obras de vulto - seja em vendas ou como publicações de influência - que ostentem ilustrações. Algumas exceções existem, porém a proporção de livros adultos ilustrados e não ilustrados é muito desproporcional. 
Será que, após as constatações acima, o público prefere livros sem qualquer ilustração? Sinceramente, creio que não é o caso. Imposições de mercado, modismo ou qualquer outro fator, inclusive decisão do autor, transformaram os livros ilustrados em peças incomuns no meio literário voltado aos adultos.
O leitor, ávido por respostas, questiona para conseguir sua solução: "não é lógico imaginar que um livro com ilustração ficará mais caro para o consumidor, o leitor?". Honestamente, tenho como firme convicção que as ilustrações podem até encarecer um pouco o produto, mas também servem para atrair leitores de outras faixas etárias, apreciadores das ilustrações e até mesmo os que acham que ler com o acréscimo de imagens facilita a leitura.
Não sei precisar quando se tornou comum publicar sem ilustrar, porém sei citar grandes obras que só ganharam com a inclusão de desenhos, pinturas ou imagens em seu conteúdo. Livros como "A divina comédia", "Alice no país das maravilhas", muitos livros de Monteiro Lobato, "Don Quixote", "Fábulas" - de La Fontaine, "O homem que calculava", "O livro do cemitério", "A batalha do Apocalipse", entre outros. Ainda posso citar os livros que receberam fotografias, pinturas e esboços. Todas essas obras venderam muito bem e não houve polêmica sobre as imagens, como, por exemplo, "a ilustração diminui ou atrapalha a criação, a imaginação do leitor, forçando-o a interiorizar uma visão pré-estabelecida". É ilógico afirmar que algumas imagens referentes a uma obra irão manipular a imaginação do leitor, fazendo-o diminuir o processo criativo ao se proceder a leitura. Afirmar isso, indubitavelmente, seria o mesmo que criticar um filme inspirado em uma obra literária, onde as imagens da película se tornariam tão intensamente armazenadas na mente do espectador que, em pouco tempo, seriam a única fonte de referência de quem viu o filme primeiro para, posteriormente, ler o livro. Ver a trilogia de "O senhor dos anéis" não implica em descartar todas as descrições, passagens e características dos personagens de Tolkien. Por mais elaborada que seja a transposição do livro para o filme, os dois podem viver conjuntamente e em harmonia, complementando-se sem que seja necessário haver o choque de versões.

Ainda devo relembrar que estamos em um período onde o visual é vital para a propagação de um produto e, nesse caso, o livro é o produto em questão. A arte por meio de fotos, ilustrações, design, esboços ou outro tipo de imagem é um atrativo a mais na publicação. Um produto que se adeque às necessidades da geração atual, mesmo limitado pela ausência de áudio, irá vender mais, será melhor aceito pelos consumidores.

 Por fim, fecho este texto ao relembrar que para toda regra há uma exceção. "As crônicas de gelo e fogo" é um sucesso editorial. As vendas são infinitamente maiores que as esperadas e a repercussão dos livros, da carreira do autor e da trama em si transpõem o campo literário e vão até as redes sociais. Tudo isso, sem dúvidas, sem o uso de imagens - excetuando-se mapas - nos livros já publicados. Drácula de Bram Stoker também vendeu muito sem ilustrações. Todos os livros de Stephen King foram lançados isentos de imagens, ainda que as adaptações para cinema e quadrinhos não sejam algo incomum.

Ler um livro é algo incentivador, capaz de nos trazer de volta o prazer de imaginar, pensar e refletir. Todas as atribuições anteriores são frutos do conteúdo da obra e podem ganhar novos contornos ao acrescentarmos imagens elaboradas com base naquilo que o escritor idealizou. Imaginar é um ato vasto e infinito, capaz de transformar uma figura estática em algo com vida, movimento.
Que voltem as figuras, desenhos, sketches, rascunhos, esboços, fotos ou como quer que os chamem. O importante é saber que não nos limitaremos jamais pela presença deles. , porém poderemos usar menos a imaginação sem tal recurso. Usemos todas as ferramentas possíveis para incentivar a venda de livros, a interiorização do hábito de ler e também o prazer em divulgar e incentivar o prazer de aprender.
Uma imagem vale mais do que mil palavras, porém ela irá valer por um milhão de palavras caso esteja vinculada a um texto de mil palavras.
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8 comentários:

  1. Olá, gostei muito do seu blog, e sou um aspirante a escritor, amplamente inspirado pelo King. Só gostaria de ressaltar que nem todos os livros de King foram lançados isentos de imagens. Aqui no Brasil sim, inclusive os livros dele que têm imagens, saem sem imagem alguma.
    Lá fora alguns dos livros dele(da saga Torre Negra, por exemplo) saíram com excelentes imagens que não foram transportadas por nossas editoras.

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  2. Amigo, obrigado pela dica. Eu já li muitos dos livros do King (sou um fã incontestável) e não tive o prazer de ver um desses com ilustrações, mas vou procurar. A torre negra está na minha lista de novas aquisições e já tenho o encadernado da HQ que corresponde ao primeiro livro. Abraços.

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  3. Primeiramente, parabéns pelo incentivo a leitura com seus filhos Franz, isso é muito importante e que fazer o mesmo qdo tiver os meus =)
    Com relação as imagens, concordo com você. Na minha opinião não atrapalha em nada, muito pelo contrário. Não sei se vale como exemplo, mas tenho a versão ilustrada de O Código da Vinci e é muito bom ver fotos dos locais e obras citadas no livro.

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  4. Um ótimo exemplo de que as ilustrações não tiram a seriedade da obra é o livro "O cemitério de Praga" - de Umberto Eco - onde há imagens que acrescentam bastante ao conteúdo do livro.
    Li esta versão ilustrada de "O código Da Vinci" e concordo com você, pois também obtive um melhor resultado na leitura, além de visualizar melhor as localidades abordadas no romance.
    Novamente, obrigado pelo comentário Priscilla.

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  5. Gostaria de ter tido pais que incentivassem a leitura, contudo não foi assim e comecei a ler por curiosidade própria. Quando tiver meus filhos, sem dúvida alguma, irei apresentar o prazer da leitura para eles. Eu também não tenho nada contra livros ilustrados...achou muito bacana! O livro "Os olhos do dragão" do King por aqui foi lançado com as ilustrações, eu tenho esse exemplar.

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  6. Ótima dica, Cyber. Vou buscar mais esta publicação. Contudo, acho que terei que arrumar o 13º emprego rsrsrs. Abração.

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  7. É verdade. Aqui no Brasil não se tem essa cultura da ilustração, mas lá fora isso é mais difundido. Na verdade, grande parte dos livros de King lá fora são ilustrados (incluindo dois, dos seus mais recentes trabalhos, 11/22/63 e under the dome). Mas também é importante ressaltar que existem versões ilustradas, com capas especiais e etc (geralmente edições limitadas) e as comuns que não vem ilustradas. Outra coisa bacana que acho no mercado editorial lá fora. Infelizmente no Brasil é muito raro encontrar um livro de capa dura e bem trabalhado, como as edições britânicas de H.P por exemplo.

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  8. Edilton, concordo com você quando diz que temos um certo descaso com o leitor que gosta e pode adquirir obras com uma melhor qualidade. Particularmente até entendo a posição das editoras que aguardam um livro virar best-seller para fazer uma edição de capa dura e com melhor qualidade. Mas a Panini está, ultimamente, trazendo boas obras (principalmente em HQ) com esta qualidade. A última grande realização deles foi a edição especial sobre todos os filmes da série Harry Potter, ricamente ilustrada, impressa em papel especial e com capa dura, além de ter um tamanho muito maior que o convencional.

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