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sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

10 anos sem Cássia Eller: MTV e Universal prestam homenagens




Gravadora Universal e MTV preparam especiais para lembrar uma década sem a cantora

São Paulo - Eram 18h quando uma multidão formada por 85 mil pessoas assistiu àquela mulher subir no palco, com uma faixa no cabelo, acompanhada por seu inseparável violão. O ano era 2001. Cássia Eller, aos 39 anos, estava no auge. Ela abria a segunda noite da terceira edição do Rock in Rio com a missão de tocar rock - no dia anterior, Gilberto Gil, James Taylor e Sting tiveram seu apelo, mas falharam no quesito roqueiro.

Meio travessa, meio ensandecida, a cantora não poupou esforços para fazer valer o rock que dá nome ao festival. Até os seios mostrou. Fez versões pesadas de "Partido Alto", de Chico Buarque, a "Come Together", dos Beatles. Contou com a participação especial da Nação Zumbi, para dar o tempero brasileiro na festa toda, que, naquela noite, teve também Fernanda Abreu, Barão Vermelho, Beck, Foo Fighters e R.E.M.

Dez anos depois, o festival voltou ao Rio. Mas Cássia, não. No fim daquele ano, em 29 de dezembro, há exatos 10 anos e dois dias antes de se apresentar na virada de ano na Barra da Tijuca, a carioca não resistiu a um fulminante enfarte do miocárdio - as suspeitas do uso de cocaína e álcool foram rechaçadas pelos médicos legistas. O mundo perdia aquela que talvez só fosse uma garotinha crescida.

Cássia Eller se foi quando vivia a melhor fase da carreira. Além do show irrepreensível no Rock in Rio, em 2001, a cantora lançou o seu mais rentável disco, "Acústico MTV", que vendeu 1,1 milhão de cópias. Foram 95 apresentações em um ano.

Para lembrar uma década sem Cássia Eller, a MTV - que, aos poucos, volta a focar no melhor da sua programação, ou seja, na música - dedicou 24 horas da sua grade a ela. Das 7h de ontem até 7h de hoje, foram exibidos o Acústico e o programa Luau MTV, gravado pouco antes de sua morte e exibido apenas em 2002, além de outros programas e entrevistas.

Tributo maior, no entanto, vem da gravadora Universal, ao colocar nas lojas o box "O Mundo Completo de Cássia Eller", uma compilação com seus seis discos de estúdio, de "Cássia Eller", de 1990, ao póstumo "Dez de Dezembro", lançado no ano seguinte à sua morte. Há também dois discos ao vivo, o Acústico e um DVD, "Violões", uma reunião de suas aparições em programas da TV Cultura entre 1990 e 1999.

É a melhor maneira de conseguir entender como funcionou a meteórica carreira de Cássia Eller. Do som cru, uma voz ainda vacilante. Era mais rock, menos violões. Mais gritos, menos melodias. Ainda assim, logo a cantora chamou a atenção. O ponto de mudança veio em "Com Você... Meu Mundo Ficaria Completo", de 1999. Graças ao filho Chicão, que disse que ela mais berrava do que cantava. Rapidamente, Cássia se tornava pop, suave, sem perder sua ousadia. As informações são do Jornal da Tarde.

Fonte: Exame.com

Leia abaixo o texto da Folha publicado na data da morte  da cantora (29/12/2001):

Aos 39 anos, a cantora Cássia Eller morreu hoje às 19h05 após sofrer três paradas cardíacas na clínica Santa Maria, no bairro de Laranjeiras, na zona sul do Rio de Janeiro.

A cantora tinha sido internada às 13h e chegou a ficar no CTI (Centro de Terapia Intensiva).

Segundo seu empresário, a cantora estava sentindo-se mal e reclamando de enjôos, devido ao excesso de trabalho. Os sintomas, segundo ele, seriam resultado de estresse provocado por excesso de trabalho. "Ela está trabalhando muito. Em sete meses, fez mais de cem shows", dizia.

Ao chegar à clínica, Eller foi internada na unidade coronariana. Mas o empresário minimizava o fato. "Não havia quartos disponíveis na clínica. Eu pedi que ela fosse internada lá. Se só houvesse vaga no CTI (Centro de Tratamento Intensivo), ela seria internada lá."

O boletim médico, assinado pelo diretor da clínica, Gedalias Heringer Filho, informa que Cássia Rejane Eller chegou à clínica "com quadro de desorientação e agitação, tendo evoluído rapidamente para depressão respiratória e parada cardiorrespiratória".

O único boletim médico divulgado confirmou a morte da roqueira, mas não revelou a causa. A família ainda não se manifestou. A equipe médica, informou o boletim, fez três manobras de ressuscitação na cantora. Às 18h, o quadro se agravou, e Eller morreu uma hora depois.

De acordo com informações extra-oficiais, a morte da artista teria sido consequência de intoxicação exógena, o que significaria consumo em excesso de algum tipo de droga. Essa informação não havia sido confirmada pela clínica até o encerramento desta edição. O caso está sendo investigado pela 10ª DP (delegacia de polícia) de Botafogo.

Em entrevista em abril, Eller afirmava que já havia sido dependente de cocaína, mas que havia conseguido se livrar do vício. "Fiz um tratamento de desintoxicação, que durou de 1998 a 2000. Encontrei Jesus, sigo com ele, limpinha", disse então a cantora.

Em seguida, contou como a droga estava interferindo em sua vida. "Estava me atrapalhando muito, a ponto de perder compromissos. Tinha criança dentro de casa, minha mulher não estava gostando. Fui eu mesma que quis fazer, foi legal."

Homossexual assumida, Cássia deixa um filho de oito anos, Francisco Ribeiro Eller, a quem ela chamava carinhosamente de Chicão. A roqueira vivia há 14 anos com Eugênia Vieira Martins (foto acima). As duas se conheceram quando Eugênia estudava Letras na UnB (Universidade de Brasília) e trabalhava no Tribunal Superior do Trabalho.

O pai do menino era o baixista Otávio Fialho, morto em um acidente de automóvel, alguns dias antes do nascimento de Chicão.

Antes de iniciar a carreira artística, Cássia teve uma vida profissional bastante diferente. "Quando criança, queria fugir com o circo, mas acabei sendo garçonete e cozinheira, aos 18 anos, em Brasília."

Um ano mais tarde, ela foi para Minas Gerais e trabalhou como servente de pedreiro. "Fiz massa e assentei tijolos."

Quando voltou para Brasília, substituiu uma amiga como secretária no Ministério da Agricultura. "Fui demitida no terceiro dia. Aí resolvi só cantar." 
 

 

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2 comentários:

  1. Rapaz, hoje em dia o Brasil tem poucas grandes vozes do Rock'n Roll! É uma pena que ela se foi tão cedo, tinha tanta coisa a acrescentar acho.

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  2. Ainda tenho esperanças de que o nosso rock irá voltar à sua Era Dourada. Bandas como Legião Urbana, Titãs e cantores do porte do Cazuza e Cássia Eller são raros.
    Bom, pelo menos temos o Teló... blearghhhhhhhh!

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